Navio de guerra russo faz disparos reais próximo à costa do Reino Unido em meio a tensões no Canal da Mancha
Em meio à transição de governo no Reino Unido — exatamente no dia em que Andy Burnham assumiu como primeiro-ministro —, um teste militar em águas internacionais acendeu o alerta em Londres. A fragata russa Neustrashimy disparou seu canhão principal a cerca de 72 quilômetros ao sul de Plymouth, após emitir um aviso repentino e solicitar que a embarcação britânica responsável por seu monitoramento recuasse para uma distância segura.
Atendendo ao chamado, o navio de patrulha HMS Tyne se reposicionou a cinco milhas do local, permitindo que a embarcação russa conduzisse um exercício de tiro real de 30 minutos na manhã de segunda-feira. Reagindo prontamente ao ocorrido em seu primeiro dia como secretário de Defesa, Wes Streeting classificou a manobra como irresponsável e teatral, enfatizando que o episódio reflete apenas uma fração das ameaças diárias enfrentadas pelo país e por seus aliados.
A presença naval russa nas proximidades do território britânico tem sido uma constante ao longo de 2026. Pouco antes deste episódio, outra fragata de Moscou, a Admiral Grigorovich, chegou a disparar tiros de advertência perto de um iate de recreio britânico na região da Ilha de Wight. Embora a realização de testes com munição real próxima a limites territoriais alheios exija aviso prévio detalhado por razões de segurança, a prática permanece legal desde que os alertas adequados sejam transmitidos.
Fontes do setor de defesa do Reino Unido destacaram a raridade do evento, ressaltando que não há registros recentes de testes russos dessa magnitude tão próximos da costa britânica. A preocupação é amplificada pela densidade do tráfego marítimo no Canal da Mancha, uma das rotas comerciais mais movimentadas do planeta. O Neustrashimy, um navio de 130 metros equipado com mísseis antinavio e canhões de alta frequência, havia acabado de substituir o Admiral Grigorovich na patrulha da região.
Monitoramento contínuo e impasse diplomático
Após o término dos disparos, o Neustrashimy seguiu em direção ao Mar do Norte para possível reabastecimento. A escolta da embarcação foi transferida do HMS Tyne para o HMS Mersey, que segue acompanhando cada movimento da fragata. O Ministério da Defesa britânico confirmou que monitorou a ação do início ao fim e reiterou a prontidão das Forças Armadas para garantir a segurança nacional.
O clima entre Londres e Moscou é de extrema cautela, especialmente após a apreensão recente de um petroleiro vinculado à Rússia por fuzileiros reais no Canal da Mancha, o que levantou temores de retaliação. Enquanto observadores apontam que a movimentação russa busca desgastar os recursos de vigilância do Reino Unido, o Kremlin, por meio do porta-voz Dmitry Peskov, defendeu que suas embarcações operam em estrita conformidade com o direito marítimo internacional, acrescentando não prever melhorias nas relações bilaterais com a nova gestão britânica.