Elevação de rios leva Defesa Civil a emitir alerta de inundação no Rio Grande do Sul

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A continuidade das fortes chuvas que atingem o Rio Grande do Sul voltou a provocar sérios estragos em diversas regiões do estado nesta terça-feira (21). Com o solo saturado e os rios em constante elevação, a Defesa Civil emitiu, na madrugada desta quarta-feira (22), novos alertas de inundação para trechos dos rios Taquari e Caí. O órgão governamental contabiliza até o momento danos em 73 municípios e mantém avisos para risco de deslizamentos em sete cidades.

Os volumes de chuva registrados no último dia alcançaram marcas alarmantes em diversas localidades gaúchas. O município de Paraí liderou os acumulados, registrando 185,4 mm em 24 horas, seguido por Porto Lucena com 181,0 mm e Marau com 176,2 mm. Outras cidades como Passo Fundo, André da Rocha, Vanini e Carazinho também ultrapassaram a cota dos 160 mm de precipitação. Em apenas 12 horas, Paraí somou 164,8 mm e André da Rocha acumulou 147,2 mm.

Além da precipitação volumosa, o vento forte intensificou os estragos no território gaúcho. A região de Planalto registrou as maiores rajadas, com ventos de até 72,4 km/h, enquanto São Borja atingiu 69,8 km/h. Cidades como São José dos Ausentes, Tramandaí, São Francisco de Paula, Porto Xavier e Canela também superaram marcas de 50 km/h.

Elevação de rios e alertas para inundações e deslizamentos

Diante da subida contínua dos leitos, a Defesa Civil classificou como “muito alto” o risco de inundação no Rio Taquari (no trecho entre Muçum e Taquari, englobando municípios como Encantado, Arroio do Meio, Lajeado, Santa Tereza, Roca Sales, Cruzeiro do Sul e Estrela) e no Rio Caí (entre Montenegro e Harmonia). Simultaneamente, alertas para risco moderado de deslizamentos de terra foram emitidos para Arroio do Meio, Cruzeiro do Sul, Encantado, Fontoura Xavier, Muçum, Santo Antônio da Patrulha e Três Forquilhas.

Outros mananciais importantes do estado seguem monitorados com níveis em rápida ascensão. O Rio Quaraí atingiu 8,84 metros, entrando na cota limite para inundação. O Rio Santa Maria (Dom Pedrito) alcançou 8,84 metros em rápida elevação, enquanto o Rio Ibirapuitã (Alegrete) chegou a 7,92 metros, o Rio Caí (na Barca do Caí) registrou 5,42 metros e o Rio dos Sinos (Campo Bom) atingiu 4,49 metros.

Desalojados, bloqueios viários e impacto em serviços essenciais

O avanço das águas e as avarias provocadas pelo vento obrigaram moradores a abandonarem suas residências, somando 25 pessoas desalojadas distribuídas entre os municípios de Cidreira, Alegrete, Santa Maria, Dona Francisca, São Borja, Cerro Branco e Vale do Sol. Ocorreram registros de destelhamentos em cidades como Alegrete, Arroio Grande, Santa Maria, Vera Cruz, Uruguaiana e Candelária.

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A infraestrutura viária e os serviços públicos sofreram severas interrupções. Houve bloqueios de pontes e estradas em Alegrete, Canudos do Vale, Vale Real, Feliz, Barão do Triunfo, Passa Sete, Pejuçara e Roque Gonzales. Em Bagé, Amaral Ferrador, Candelária, Giruá, Gramado e Santa Vitória do Palmar, a queda de árvores e postes comprometeu a circulação e o abastecimento elétrico e hídrico. Em Itara, o rompimento de cabos de alta tensão gerou um incêndio em vegetação, e comunidades de Forquetinha ficaram temporariamente isoladas por quedas de árvores.

O setor educacional e de saúde também foi afetado: em Barão do Triunfo, quatro escolas e uma unidade da Apae foram danificadas; em Santa Maria, duas escolas tiveram o telhado destruído e o Hospital São Francisco registrou o alagamento de uma de suas unidades. Em Jari e São Jerônimo, as aulas foram suspensas devido à falta de energia e avarias em pontes do interior, enquanto o transporte escolar precisou ser cancelado em Pejuçara e Ubiretama.

A precipitação persiste nesta quarta-feira (22) em grande parte do Rio Grande do Sul, com maior intensidade concentrada nas regiões Nordeste, Norte, Serra, Campanha, Costa Doce e Sul. Nesses pontos, os acumulados previstos variam entre 10 mm e 50 mm, podendo atingir marcas isoladas de até 70 mm. A Defesa Civil reitera a atenção para o risco de novas enxurradas, alagamentos e transbordamentos de pequenos arroios.

A partir de quinta-feira (23), o sistema perde força gradualmente, mantendo o céu encoberto e a possibilidade de chuviscos isolados na metade leste. Os ventos trazem mar agitado e uma acentuada queda na temperatura, com mínimas próximas a 7°C. Na sexta-feira (24), o tempo se estabiliza, mas as temperaturas permanecem baixas, oscilando entre 5°C e 15°C. Mesmo com a trégua das chuvas, o escoamento das águas mantém os rios elevados e o risco de inundações em áreas já vulneráveis.

Instabilidade se alastra para Santa Catarina e Paraná

O mesmo sistema meteorológico espalha instabilidade pelos demais estados da Região Sul. Em Santa Catarina, acumulados entre 50 mm e 70 mm foram registrados em curto intervalo, alcançando 80 mm em trechos do Meio-Oeste e do Alto Vale do Itajaí. O alerta catarinense prevê chuvas persistentes, temporais isolados com descargas elétricas e rajadas de vento, mantendo risco de alagamentos e queda de árvores em regiões como a Grande Florianópolis, Planaltos e Vale do Itajaí.

No Paraná, a chuva abrange quase todo o território nesta quarta-feira, com os maiores volumes esperados para o Oeste, Sudoeste e Centro-Sul, onde os acumulados podem ultrapassar 50 mm. Para as regiões dos Campos Gerais, Leste e Norte paranaense, há previsão de temporais acompanhados de rajadas de vento e raios entre a madrugada e a manhã.

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