Irã usou imagens de satélite de origem da China para bombardear base americana que vitimou soldados

Compartilhe

Segundo informações publicadas pelo The Wall Street Journal, o Irã obteve imagens de satélite de alta resolução de uma base militar americana na Jordânia através de fontes chinesas antes de realizar um ataque com mísseis em julho. A ofensiva contra a Base Aérea de Muwaffaq Salti, situada no nordeste jordaniano, atingiu uma área residencial onde tropas americanas dormiam, resultando na morte de três soldados e ferindo outros quatro, que precisaram ser evacuados para tratamento médico. O episódio integrou uma série de três ataques contra a instalação em um intervalo de 24 horas, marcando as primeiras baixas fatais de militares dos Estados Unidos em combate desde o cessar-fogo estabelecido em abril.

Repercussão diplomática e respostas oficiais

Washington estabeleceu uma conexão direta entre o material de origem chinesa e o bombardeio, embora autoridades ouvidas pela imprensa tenham evitado acusar formalmente o governo de Pequim de envolvimento direto. O jornal destacou que, dias após o incidente, Teerã divulgou registros detalhados dos danos em três seções da base, exibindo um nível de nitidez superior ao de imagens comerciais de baixa resolução analisadas pela própria publicação. A revelação antecede uma reunião programada para 24 de setembro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping. Representantes americanos levaram o caso diretamente a autoridades chinesas, que exigiram provas e rejeitaram as acusações, enquanto Pequim negou que empresas nacionais forneçam esse tipo de material ao governo iraniano. Um porta-voz da Embaixada da China em Washington, Liu Chang, acusou partes não identificadas de realizarem difamações maliciosas. Por sua vez, a Casa Branca declarou que nenhuma ajuda externa incrementou a capacidade iraniana de atingir alvos americanos, e o secretário de Estado, Marco Rubio, evitou responder diretamente sobre o repasse de dados de alvos por parte de Pequim, pontuando apenas que as ações chinesas não alteraram o panorama do conflito.

Leia+  EUA monitoram morte em laboratório russo de pesquisa sobre a peste e acende temor de propagação

Evolução tática e sanções anteriores

Analistas e ex-funcionários apontam que as imagens de satélite representaram apenas uma das vertentes de inteligência utilizadas pelo Irã, que também contou com satélites próprios, agentes de inteligência humana e suporte da Rússia. No início das hostilidades, operações americanas contra radares e sistemas de satélite iranianos degradaram a capacidade de mapeamento de Teerã, cujos disparos iniciais frequentemente falhavam em atingir alvos estratégicos. Contudo, a precisão dos ataques iranianos apresentou melhorias perceptíveis durante o verão. Jim Lamson, ex-analista da CIA especializado nas forças armadas do Irã, avaliou que o acesso a registros atualizados de alta resolução permitiu à liderança iraniana selecionar alvos de alto valor com maior exatidão e mensurar os danos causados. O histórico de atritos comerciais e de segurança já havia motivado sanções do governo Trump em maio contra três empresas chinesas — MizarVision, Earth Eye e Chang Guang —, acusadas de fornecerem suporte visual passível de uso militar pelo Irã, além de acusações anteriores do Departamento de Estado contra a Chang Guang por auxiliar ataques de milícias Houthi no Iêmen. O governo americano reportou formalmente o apoio chinês e russo aos comitês de inteligência do Congresso nas últimas semanas.

Foto; Marcos Britto

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

www.clmbrasil.com.br