Visita de Lula a Portugal é marcada por protestos intensos em frente ao Palácio de Belém; vídeo
O Palácio de Belém, em Lisboa, tornou-se o epicentro de um intenso embate político nesta terça-feira, durante a visita oficial do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva a Portugal. Centenas de pessoas reuniram-se nas imediações da sede da Presidência da República para expressar opiniões antagônicas sobre a presença do chefe de Estado brasileiro, em um cenário marcado por forte policiamento e gritos de ordem de ambos os lados.
O movimento de oposição foi impulsionado pelo partido de direita Chega, que convocou seus apoiadores através de redes sociais. Em mensagens compartilhadas via WhatsApp, a sigla instou os cidadãos a “defender Portugal”, argumentando que figuras associadas a processos de corrupção não deveriam ser recebidas com honras de Estado, mas sim alvo de críticas públicas. A mobilização teve início por volta das 12h30, horário local, concentrando uma massa ruidosa que contestava a legitimidade da recepção diplomática.
Protagonismo do chega e palavras de ordem
A linha de frente do protesto contou com figuras centrais da direita portuguesa, incluindo o líder do partido, André Ventura, além de diversos dirigentes, deputados da legenda e a atriz Maria Vieira, conhecida pelo seu ativismo político. O grupo entoou coros agressivos direcionados ao presidente, como “Lula ladrão, o teu lugar é na prisão” e “Lula, ouve lá, não te queremos cá”, demonstrando a hostilidade de uma parcela do eleitorado português e da comunidade brasileira residente no país em relação ao atual governo do Brasil.
A iconografia do protesto foi marcada por cartazes que retratavam Lula da Silva em uniformes de presidiário, atrás de grades simbólicas. As críticas expandiram-se para o cenário político local, com faixas que associavam a imagem do presidente brasileiro à do antigo primeiro-ministro português José Sócrates, sob o lema “tolerância zero à corrupção”. Entre bandeiras do Chega e as cores nacionais de Portugal e do Brasil, os manifestantes reforçaram a narrativa de indignação que pautou o ato durante toda a tarde.