Climão na França: Trump ignora Lula após foto oficial do G7 e acirra tensão bilateral

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva posou para a foto oficial da cúpula do G7 nesta terça-feira, na cidade francesa de Évian-les-Bains. O registro conjunto ocorre em um momento de forte desgaste nas relações bilaterais entre o Brasil e os Estados Unidos, motivado pela proposta do governo americano de aplicar novas tarifas comerciais contra o mercado brasileiro. Diferentemente da edição anterior, o presidente dos EUA, Donald Trump, compareceu ao tradicional “retrato de família”, posicionando-se ao lado do líder francês e anfitrião do evento, Emmanuel Macron. Na mesma imagem, Lula foi posicionado ao lado do primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, e logo à frente da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

O G7 atua como um influente fórum político global que reúne as principais economias industrializadas do mundo — Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão —, além da representação da União Europeia. Embora o Brasil não seja um integrante oficial do grupo, o país foi convidado para participar das discussões ampliadas. Essa inclusão de nações convidadas a partir do segundo dia de debates é uma prática tradicional conduzida pelo país que sedia o encontro.

Distanciamento entre líderes e articulação com a Europa

Logo após a sessão de fotos, o cenário de distanciamento entre os mandatários ficou evidente. Enquanto Lula iniciava uma breve conversa com Ursula von der Leyen, o presidente Donald Trump passou pelos dois líderes sem que houvesse qualquer cumprimento recíproco. O diálogo informal entre o presidente brasileiro e a chefe do braço executivo da União Europeia antecede uma reunião bilateral formal já agendada entre ambos, que contará também com a participação do presidente do Conselho Europeu, António Costa.

O clima de animosidade tem como plano de fundo uma recente investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos. O relatório norte-americano sugere a taxação de 25% sobre produtos vindos do Brasil, sob a alegação de que o país adota práticas comerciais desleais que prejudicam companhias americanas. O documento questiona desde as regras de funcionamento do sistema Pix até políticas ambientais, combate à corrupção e proteção à propriedade intelectual. Em resposta, o governo Lula classificou a postura de Washington como inaceitável, gerando uma escalada nas críticas diplomáticas entre as duas nações.

O contra-ataque brasileiro ao protecionismo

Durante as sessões de trabalho do G7, a estratégia da diplomacia brasileira prevê que Lula adote um posicionamento firme contra o avanço do protecionismo econômico e das medidas unilaterais, que afetam o equilíbrio do comércio internacional. Interlocutores do Palácio do Planalto apontam que o presidente brasileiro enviará um recado claro sobre a insatisfação com a sobretaxa americana, contudo, a abordagem deve focar na defesa de princípios econômicos globais, evitando um embate ou ataque direto à figura de Donald Trump.

Essa linha de argumentação já vinha sendo desenhada na semana passada, quando o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, representou o Brasil em uma reunião preparatória liderada por Emmanuel Macron. Na ocasião, o chanceler brasileiro defendeu a necessidade de fortalecimento de órgãos multilaterais, como a Organização Mundial do Comércio, para conter ações isoladas e punitivas de grandes potências, citando indiretamente o pacote de tarifas desenhado pela Casa Branca.

Outro ponto focal da agenda de Lula na França será um almoço de trabalho dedicado ao desenvolvimento e regulação da inteligência artificial. O presidente brasileiro planeja contrapor os argumentos técnicos utilizados pelos Estados Unidos para justificar as sanções comerciais. Os relatórios americanos apontam que o Judiciário brasileiro tem agido de forma prejudicial contra empresas de tecnologia baseadas nos Estados Unidos.

Diante dos líderes das maiores economias do mundo, o discurso do Brasil será de abertura de mercado combinada com soberania jurídica. Lula pretende enfatizar que o mercado brasileiro permanece receptivo aos investimentos e às operações das grandes plataformas digitais estrangeiras, rejeitando qualquer rótulo de perseguição ideológica ou comercial, desde que essas corporações operem em estrita conformidade com a legislação e as decisões das autoridades nacionais.

Foto Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)

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