Trump promete “acerto de contas” com Cuba e endurece sanções contra presidente e cúpula do regime
Em um movimento que sinaliza um endurecimento da política externa estadunidense, o presidente Donald Trump afirmou, na última quinta-feira, que o governo dos EUA voltará sua atenção para Cuba logo após concluir suas ações em relação ao Irã. O mandatário descreveu a abordagem como uma estratégia gradual, declarando que prefere tratar de uma questão de cada vez, e sugeriu que o tratamento dado à ilha caribenha seria uma prioridade logo após os desdobramentos com a República Islâmica. A retórica de Trump ocorre em um cenário onde o governo cubano já denunciava, há meses, um aumento da pressão diplomática e a criação de justificativas por parte de Washington para intensificar o bloqueio econômico ao país.
Ampliação de sanções contra o alto escalão cubano
Simultaneamente às declarações presidenciais, o Departamento do Tesouro dos EUA formalizou uma nova rodada de sanções contra figuras de destaque do governo de Havana. Entre os alvos das medidas restritivas impostas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) estão o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, e sua esposa, Lis Cuesta Peraza. A lista de bloqueios abrange ainda familiares próximos, como o enteado do presidente, Manuel Anido Cuesta, e Raúl Alejandro Castro Calis, neto do ex-presidente Raúl Castro. Além de indivíduos, a resolução penalizou instituições centrais do Estado cubano, incluindo as Forças Armadas Revolucionárias, os Comitês de Defesa da Revolução, o Instituto Cubano de Amizade com os Povos e a agência de viagens vinculada ao órgão, Amistur Cuba SA.
O estado de emergência e a escalada da tensão
A postura de Washington tem se consolidado desde janeiro, quando Trump assinou uma ordem executiva instaurando um “estado de emergência nacional”, fundamentado na alegação de que Cuba representaria uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança regional e estadunidense. O documento oficial acusa o governo de Havana de manter alianças com países hostis aos EUA, oferecer abrigo a grupos considerados terroristas e permitir a instalação de capacidades militares e de inteligência da Rússia e da China em território cubano. Sob essas premissas, a Casa Branca tem implementado sanções severas, incluindo tarifas contra países que comercializam petróleo com Cuba e ameaças de represálias contra nações que desafiem as diretrizes impostas. Esse cenário é agravado por ações recentes do secretário de Estado, Marco Rubio, que articulou novos pacotes de sanções contra diversos membros do gabinete de Díaz-Canel, evidenciando uma escalada contínua no atrito diplomático entre os dois países.