Irã quer mísseis intercontinentais capazes de atingir os EUA; autoridades pressionam lider supremo

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Autoridades iranianas intensificaram a retórica contra os Estados Unidos ao solicitarem, formalmente, que a República Islâmica inicie o desenvolvimento de mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs). A demanda consta em uma carta endereçada ao Líder Supremo, aiatolá Ali Khamenei, assinada por 85 funcionários, conforme reportou o jornal reformista iraniano Asriran. No documento, além de prestarem condolências pela morte do pai de Khamenei, os signatários questionam a confiabilidade de Washington em negociações de cessar-fogo. Parlamentares presentes na lista reafirmaram o compromisso com o setor de defesa, prometendo suporte até que o arsenal iraniano seja capaz de atingir os centros de poder dos seus oponentes.

A mensagem carregada de hostilidade utiliza termos como “olho por cabeça” para descrever a estratégia contra o que o regime denomina propaganda de “Al-Epstein” — uma tentativa deliberada de associar Israel e Estados Unidos à rede de crimes do falecido Jeffrey Epstein. Analistas do Instituto para o Estudo da Guerra interpretam o movimento como um sinal claro da intenção de Teerã de obter tecnologia capaz de ameaçar diretamente o território norte-americano.

Capacidade atual e ambições estratégicas

Especialistas militares, como o major-general reformado Yaakov Amidror, ex-conselheiro de Benjamin Netanyahu, ressaltam que o desenvolvimento de armas de longo alcance é um objetivo de longa data do regime iraniano. Amidror adverte que, caso Teerã obtenha vantagens financeiras em futuras negociações com Washington, o governo iraniano ganhará o fôlego econômico necessário para viabilizar seus planos de expansão militar a longo prazo.

Atualmente, o alcance oficial do arsenal balístico iraniano situa-se na casa dos 2.000 km, com modelos de destaque como o Khorramshahr, capaz de transportar uma carga explosiva de até 1.800 kg, o Sejjil e o Shahab-3. Contudo, relatos anteriores, como uma reportagem do Wall Street Journal publicada em março, indicam tentativas de lançamentos que superariam essa marca, visando alvos a 4.000 km de distância, como a base militar conjunta EUA-Reino Unido em Diego Garcia. Na ocasião, o tenente-general Eyal Zamir, chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, alertou que tal incremento de alcance colocaria na mira direta, além do Oriente Médio, nações europeias como França, Alemanha e Itália.

Liderança política por trás da iniciativa

Embora especialistas como Amidror sugiram que a carta possa ser um instrumento de propaganda interna para pressionar as negociações com Washington, a relevância dos nomes entre os signatários chama a atenção. Entre os envolvidos está Manouchehr Mottaki, ex-ministro das Relações Exteriores e atual parlamentar, conhecido por suas posições de linha-dura. Mottaki tem sido uma das vozes mais ativas no cenário político iraniano, defendendo abertamente que potências do Golfo e os Estados Unidos paguem indenizações ao regime. O documento conta com o apoio de diversos outros integrantes da ala ultraconservadora do país, que vêm utilizando a imprensa local para manifestar oposição contundente a qualquer reaproximação diplomática com o governo americano.

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