Rio Grande do Sul investiga possível caso de ebola e mobiliza equipe especializada em doenças infecciosas
As autoridades de saúde do Rio Grande do Sul investigam um possível caso de infecção por vírus ebola em um homem de 64 anos. O paciente, que retornou recentemente de uma viagem a Uganda, na África, buscou atendimento médico em uma unidade de saúde de Novo Hamburgo, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Embora o indivíduo tenha testado positivo para malária, doença para a qual já iniciou tratamento imediato, a suspeita para o vírus ebola permanece em análise como medida de precaução.
O paciente será transferido para o Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre, unidade de referência estadual, onde receberá assistência especializada. Amostras biológicas serão enviadas à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para a realização de exames definitivos. Caso a infecção por ebola seja confirmada, o protocolo prevê o encaminhamento do paciente para um hospital de referência nacional. A Secretaria Estadual da Saúde já notificou o Ministério da Saúde e implementou medidas de monitoramento de contatos e protocolos de biossegurança.
Monitoramento em São Paulo e contexto internacional
Além da ocorrência gaúcha, a capital paulista acompanha um caso suspeito envolvendo uma mulher de 31 anos, que se encontra isolada no Instituto de Infectologia Emílio Ribas. No início do mês, outra suspeita em São Paulo havia sido descartada. É importante ressaltar que, apesar de o ebola ter sido classificado como uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional em 2014, nunca houve registros de transmissão autóctone, ou seja, contraída dentro do território sul-americano. A Organização Mundial da Saúde (OMS) mantém vigilância sobre surtos ativos na República Democrática do Congo e em Uganda.
Entendendo a doença: transmissão e sintomas
O ebola é classificado como uma febre hemorrágica de alta gravidade, capaz de comprometer o funcionamento de múltiplos órgãos no corpo humano. Diferentemente de doenças de transmissão aérea, como a covid-19, o vírus é propagado através do contato direto com fluidos corporais de uma pessoa infectada, a exemplo de sangue, urina e fezes.
O quadro clínico costuma ser marcado por sintomas iniciais como febre elevada, dor de cabeça intensa, náuseas e vômitos. À medida que a enfermidade progride, o paciente pode apresentar diarreia e, em quadros mais severos, hemorragias. Devido à sua natureza letal, a OMS reforça que a detecção precoce e o isolamento rígido são fundamentais para conter a propagação do vírus.