“Quem decide é Bolsonaro”: Valdemar joga para os próximos dias o veredito sobre a candidatura de Michelle ao Senado
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, declarou nesta sexta-feira que Michelle Bolsonaro conversará com o ex-presidente Jair Bolsonaro antes de oficializar sua candidatura ao Senado pelo Distrito Federal. O dirigente partidário se reuniu com a ex-primeira-dama em Brasília e informou que o martelo será batido até domingo, data da convenção estadual da legenda.
Conforme relatado por Valdemar, a hesitação ocorre porque uma eventual campanha precisa ser conciliada com a dedicação ao marido. Atualmente em prisão domiciliar humanitária, o ex-presidente tem contado com a presença constante da esposa, o que reduziu drasticamente sua agenda política recente. Nos bastidores, contudo, a cúpula do PL trata o nome dela como certo para a disputa e projeta que o anúncio oficial ocorra justamente no evento de domingo, tendo o irmão dela, Diego Torres Dourado, como o primeiro suplente da chapa.
Impacto na chapa e reconfiguração de aliados
A confirmação iminente encerra meses de especulações que travaram a estratégia eleitoral do partido no Distrito Federal. Caso a candidatura seja selada, Michelle integrará a aliança de apoio à reeleição da governadora Celina Leão (PP), ocupando uma das vagas ao Senado ao lado da deputada Bia Kicis (PL-DF).
Essa indefinição prolongada já havia gerado movimentações no tabuleiro político local. O senador Izalci Lucas (PL-DF), que aguardava uma definição para avaliar seu próprio espaço na majoritária, optou por redirecionar seus planos e concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados.
Formato da campanha e o cenário nacional
Caso confirme sua entrada na disputa, Michelle adotará um modelo de campanha atípico em comparação aos seus anos à frente do PL Mulher. O planejamento logístico prioriza compromissos curtos e focados em Brasília, com forte ênfase nas redes sociais, garantindo que ela passe poucas horas longe de casa.
O movimento também marca uma nova fase na relação com a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Após atritos públicos superados por um pedido de desculpas e um apelo de engajamento por parte do parlamentar, a direção do partido aposta na imagem de Michelle como um pilar estratégico para diminuir a rejeição a Flávio junto ao eleitorado feminino.
Apesar do retorno às urnas, Valdemar garantiu que Michelle não reassumirá a presidência nacional do PL Mulher, cargo deixado justamente para priorizar os cuidados com o marido. A interlocução com os diretórios estaduais ficará temporariamente sob a responsabilidade de Ana Munhoz, sem a nomeação de uma nova presidente no curto prazo.
Fechando as perspectivas para o pleito, a direção da legenda projeta um cenário de ampla maioria no Congresso, estimando a eleição de 28 senadores neste ano, o que somará forças com os oito parlamentares do partido que mantêm seus mandatos vigentes.