André Mendonça derruba sigilo de pagamentos ligados a Daniel Vorcaro
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira (14) a quebra do sigilo de dados de pagamentos do banqueiro Daniel Vorcaro e do Banco Master. A decisão expõe publicamente um relatório de inteligência financeira (RIF) elaborado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a pedido da Polícia Federal. O documento técnico detalha movimentações financeiras atípicas e indícios de crimes como lavagem de dinheiro, somando-se a outros 53 procedimentos de apuração do caso já tornados públicos por ordem do presidente da Corte, ministro Edson Fachin.
Posicionamento da PGR
A medida atende a uma articulação que envolveu o ministro Alexandre de Moraes e a Procuradoria-Geral da República (PGR), motivada pelo julgamento marcado para esta terça-feira (15) sobre supostas mensagens entre o magistrado e o banqueiro preso. A PGR, por meio do vice-procurador-geral Hindenburgo Chateabriand Filho, manifestou-se favorável à publicidade após argumentar que desconhecia a existência anterior do documento. A instituição defendeu que a divulgação é essencial para que os ministros compreendam a totalidade dos fatos debatidos no plenário.
Crise e questionamentos no Supremo
O material em pauta gerou uma crise institucional sem precedentes no STF, após a PF apontar a existência de 52 mensagens trocadas entre dezembro de 2023 e novembro de 2025, além de indícios de atuação do ministro na análise de um contrato de R$ 130 milhões envolvendo o escritório de advocacia da esposa de Moraes. Enquanto a sessão plenária definirá os desdobramentos das revelações, a própria PGR defende o arquivamento do relatório produzido por Mendonça. O argumento central é a ocorrência de vício de origem, uma vez que a apuração teria sido ordenada sem comunicação prévia à presidência ou ao plenário da Corte.