Polícia Federal faz operação de busca e apreensão na casa de Bolsonaro por suspeita de armas ocultas
A Polícia Federal cumpriu um mandado de busca e apreensão na residência do ex-presidente Jair Bolsonaro na manhã desta quarta-feira. A operação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), teve como objetivo verificar a existência de armas e munições não declaradas na propriedade. A ação ocorre em um momento de crescente escrutínio sobre o arsenal registrado em nome do ex-presidente.
Após a conclusão dos trabalhos dos agentes federais, a equipe de defesa de Bolsonaro se manifestou publicamente. O advogado João Henrique Freitas confirmou a realização da busca, mas ressaltou que nenhum item foi encontrado ou apreendido. A defesa criticou a medida judicial, classificando-a como desnecessária, sob o argumento de que as autoridades já haviam sido formalmente informadas sobre a localização de todo o armamento do político.
Inconsistências no arsenal disparam alerta do STF
O estopim para a nova ofensiva judicial foi um relatório do Exército enviado à Polícia Federal. O documento apontou que, das oito armas registradas por Bolsonaro, apenas seis haviam sido efetivamente recolhidas pela corporação militar. O sumiço temporário de uma pistola Glock e de uma espingarda calibre 12 gerou um impasse entre as Forças Armadas, a defesa do ex-presidente e o Judiciário.
Os advogados justificaram que a pistola já estava sob a custódia da Polícia Civil devido a um incidente anterior, enquanto a espingarda permaneceria guardada com uma importadora no Rio Grande do Sul. O ministro Alexandre de Moraes, no entanto, rejeitou as explicações por considerar que faltavam documentos comprobatórios idôneos. Para o magistrado, a divergência nos registros configurou uma afronta à ordem anterior de entrega total das armas, justificando a varredura na casa de Bolsonaro.
Manutenção da prisão domiciliar e o incidente na blitz
Apesar das novas suspeitas, o cenário jurídico de Bolsonaro mantém certa estabilidade em outra frente. O ministro do STF decidiu manter o ex-presidente em regime de prisão domiciliar humanitária, seguindo um parecer favorável da Procuradoria-Geral da República. O Ministério Público entendeu que o episódio envolvendo o armamento não configurou uma falta grave o suficiente para a regressão de regime.
As investigações originais sobre as armas começaram em meados de junho, quando o armamento de Bolsonaro foi flagrado em uma blitz rodoviária no Distrito Federal, em posse de um de seus seguranças particulares. No decorrer do inquérito, o ex-presidente alegou que havia repassado o equipamento ao funcionário apenas para que fosse submetido a reparos técnicos, negando qualquer irregularidade em sua conduta.
O desdobramento mais recente na esfera policial resultou no indiciamento do segurança Estácio Leite da Silva Filho por porte ilegal de arma de fogo. O ex-presidente, por sua vez, não foi formalmente acusado pelo episódio da blitz. Em depoimentos anteriores, a defesa chegou a mencionar que uma peça do armamento havia sido removida preventivamente para desarmar o equipamento, citando preocupações com o estado mental do ex-presidente na ocasião.