PGR dá parecer favorável a pedido de cirurgia de Bolsonaro; decisão final cabe a Moraes
A Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um parecer favorável à solicitação de Jair Bolsonaro (PL) para a realização de uma cirurgia no ombro direito. O documento agora aguarda a análise definitiva do ministro Alexandre de Moraes. A intervenção médica, recomendada por especialistas para os dias 24 ou 25 de abril de 2026, visa a reparação do manguito rotador e de lesões correlatas. Diante do quadro de saúde, a defesa do ex-presidente solicitou urgência na tramitação do pedido.
A autorização solicitada pelos advogados não se restringe apenas ao ato cirúrgico, mas abrange todo o ciclo de tratamento. Isso inclui as fases preparatórias, o período de internação, o pós-operatório imediato e a etapa de reabilitação. A defesa sustenta que a medida é necessária devido à natureza clínica do caso, assegurando que o ex-presidente receba a assistência completa sob supervisão médica.
Estado de saúde e recuperação clínica
Na última sexta-feira (17), a equipe jurídica de Bolsonaro informou que o quadro de saúde do ex-presidente apresentou melhoras significativas, tornando-o apto para o procedimento ortopédico. Atualmente com 71 anos, Bolsonaro cumpre prisão domiciliar humanitária temporária desde o final de março, benefício concedido por Moraes após o diagnóstico de uma pneumonia bilateral. Relatórios médicos enviados à Corte indicam uma “boa evolução” nas funções pulmonar e digestiva, com redução de sintomas como falta de ar e refluxo.
Além da melhora respiratória, o boletim médico detalha que o ajuste na medicação para o controle de crises de soluço obteve resposta satisfatória. No entanto, o problema ortopédico persiste como um obstáculo funcional. Segundo o laudo, o ex-presidente sofre com dores noturnas intensas e perda de mobilidade no ombro. Como o tratamento fisioterápico não apresentou os resultados esperados para a lesão traumática, a cirurgia artroscópica — método minimamente invasivo — tornou-se a recomendação definitiva.
Rotina sob custódia domiciliar
Bolsonaro cumpre uma pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, mas permanece em domicílio devido à sua condição de saúde debilitada. O prazo inicial da prisão humanitária é de 90 dias, período em que ele segue uma rotina rigorosa de cuidados. O cotidiano do ex-presidente é marcado por uma dieta restrita, controle rigoroso da pressão arterial e seis sessões semanais de fisioterapia motora e cardiorrespiratória.
A decisão de Moraes sobre a cirurgia deve considerar tanto o laudo ortopédico, que confirma a lesão de alto grau via ressonância magnética, quanto o parecer favorável da PGR. Caso autorizada, a intervenção marcará mais uma etapa no complexo histórico de saúde do ex-mandatário, que tenta recuperar a capacidade funcional do braço enquanto cumpre os termos de sua detenção.