Marte e Urano ficam lado a lado neste sábado em evento raro que só se repete daqui a 27 anos
Nas primeiras horas deste sábado, 4 de julho, os entusiastas da astronomia terão uma oportunidade única de contemplar um espetáculo celeste raro. Marte e Urano protagonizarão o seu ponto de maior aproximação aparente no céu, em um evento conhecido como conjunção (ou tecnicamente, “aproximação”). Este será o encontro mais próximo entre os dois planetas até o ano de 2053, um marco que promete atrair olhares para o horizonte nordeste antes do amanhecer.
A rara aproximação oferece uma chance excelente para os observadores do céu localizarem Urano, o sétimo planeta do Sistema Solar, que costuma ser um dos mais difíceis de serem avistados a olho nu devido à sua distância. O show astronômico poderá ser acompanhado a leste-nordeste no início do crepúsculo matutino.
Como identificar os planetas e a ilusão cósmica
Durante o pico do evento, Marte e Urano estarão separados por pouco mais de 6 minutos de arco, o que equivale a meros 0,1 grau — cerca de um quarto do diâmetro de uma Lua cheia. Para se ter uma ideia prática dessa escala, basta apontar o dedo mínimo em direção ao céu. No alinhamento, o Planeta Vermelho exibirá seu brilho característico vermelho-alaranjado logo abaixo de Urano, que se destacará com uma tonalidade azul-esverdeada. Embora estejam separados por distâncias abissais, a perspectiva fará com que ambos pareçam ter tamanhos semelhantes no céu. Quem utilizar binóculos ou telescópios ainda poderá vislumbrar a estrela distante HD 284146 posicionada exatamente entre os dois astros.
Naturalmente, essa proximidade impressionante não passa de uma bela ilusão de ótica provocada pelo alinhamento dos planetas em suas respectivas órbitas. Na realidade real da física espacial, Marte estará posicionado a 314 milhões de quilômetros da Terra, enquanto Urano se encontrará a impressionantes 3,028 bilhões de quilômetros de nós. A estrela de fundo, HD 284146, está localizada ainda mais longe, a colossais 1.240 anos-luz de distância.
Essa disparidade cósmica reflete-se no tempo que a luz leva para viajar pelo espaço. Os fótons que partem de Marte demoram cerca de 17,5 minutos para alcançar os olhos dos observadores na Terra. Já os raios luminosos refletidos por Urano realizam uma jornada de quase três horas antes de registrar sua presença no céu da madrugada.