Lei de Reciprocidade: Brasil notifica Washington e inicia trâmite para taxar produtos norte-americanos

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: O governo brasileiro formalizou o início dos trâmites para aplicar a Lei de Reciprocidade contra os Estados Unidos. A decisão ocorre em resposta às recentes sobretaxas impostas pela administração norte-americana sobre produtos exportados pelo Brasil, que somam uma alíquota total de 37,5%. Paralelamente ao processo interno de retaliação comercial, o país também contesta as medidas na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Sancionada em 2025, a legislação oferece ao Poder Executivo um arcabouço jurídico inédito para reequilibrar relações comerciais e proteger a economia nacional diante de sanções ou barreiras consideradas injustas. Antes do dispositivo, a única alternativa legal do país para retaliar ações unilaterais era o recurso à OMC. A norma permite a imposição de direitos comerciais sobre a importação de bens e serviços, além da eventual suspensão de concessões sobre direitos de propriedade intelectual estipulados em acordos vigentes.

Rito de aplicação e instâncias decisórias

Para a consolidação das contramedidas ordinárias, a legislação exige a abertura de consulta pública por até 30 dias para ouvir os setores afetados e parceiros comerciais. A proposta deve ser avaliada pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Camex), cabendo a palavra final ao Conselho Estratégico do órgão. O governo conta ainda com o Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais — composto pelos ministérios do Desenvolvimento, Casa Civil, Fazenda e Relações Exteriores —, que possui prerrogativa para deliberar sobre respostas provisórias e de aplicação imediata em casos excepcionais.

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Ações diplomáticas e trâmite na OMC

Apesar de ter iniciado o processo de reciprocidade, o Brasil mantém a via do diálogo como prioridade. O Ministério das Relações Exteriores realiza notificações oficiais aos órgãos norte-americanos e solicitou consultas diplomáticas formais para mitigar os impactos econômicos. Na esfera internacional, os Estados Unidos aceitaram o pedido brasileiro para abrir conversas no âmbito da OMC, onde o Brasil argumenta que as sobretaxas — justificadas pela Casa Branca sob alegações de práticas desleais e falhas na fiscalização de trabalho forçado — violam acordos multilaterais e possuem caráter discriminatório.

Foto: Ricardo Stuckert/PR e Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

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