Inflação em alta: : IPCA-15 salta 0,70% impulsionado por luz e alimentos
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial do país, registrou alta de 0,70% em setembro, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice ficou bem acima das projeções do mercado financeiro, que aguardavam um avanço de 0,53%, e representou uma forte reversão em relação ao mês anterior, quando o indicador havia apresentado queda de 0,40%. Com esse resultado, o IPCA-15 passa a acumular alta de 3,82% no ano e de 4,47% no acumulado de 12 meses.
Energia elétrica lidera pressão de alta no custo de vida
A principal pressão sobre a inflação do período veio do grupo Habitação, que disparou 2,07% no mês. O movimento foi impulsionado essencialmente pela energia elétrica residencial, cuja alta de 7,42% reverteu a queda de 6,25% registrada em agosto. A elevação ocorreu devido ao fim da incorporação do Bônus de Itaipu, benefício que devolvia valores excedentes da usina e reduzia temporariamente as faturas.
Além disso, a bandeira tarifária amarela permaneceu ativa em setembro, acrescentando um custo extra de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. O IBGE destacou ainda variações pontuais em outros itens habitacionais, como o gás encanado, que subiu 0,92% após reajustes em capitais como Curitiba e Rio de Janeiro, e a taxa de água e esgoto, que avançou 0,03% influenciada por uma alta em Salvador.
Transportes, alimentos e despesas pessoais também encarecem
Fora do setor de habitação, o grupo de Transportes registrou alta de 0,60%, sustentado principalmente pelo salto de 9,82% nas passagens aéreas e pelos reajustes nos combustíveis, onde a gasolina subiu 0,30%. O grupo de Despesas Pessoais também pesou no bolso do consumidor, com avanço de 0,96%, impulsionado por um reajuste de 14% no preço do cigarro.
No segmento de Alimentação e Bebidas, que subiu 0,40%, os aumentos foram disseminados tanto nos produtos comprados para consumo domiciliar quanto nas refeições fora de casa. Entre os itens que mais pesaram nas compras de supermercado destacaram-se o tomate, com alta expressiva de 20,76%, o arroz, com 2,39%, e as carnes, que encareceram 1,30%.
Todas as nove classes de despesa pesquisadas pelo IBGE encerraram o mês no campo positivo. As variações completas abrangeram Alimentação e bebidas (0,40%), Habitação (2,07%), Artigos de residência (0,55%), Vestuário (0,41%), Transportes (0,60%), Saúde e cuidados pessoais (0,13%), Despesas pessoais (0,96%), Educação (0,03%) e Comunicação (0,54%).