O projeto HAARP criou o devastador terremoto de magnitude 7,4 no solo colombiano?
A simultaneidade entre o forte abalo sísmico de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia e a realização de um curso promovido pela Universidade do Alasca sobre fenômenos eletromagnéticos ionosféricos reacendeu, nas redes sociais, antigas teorias conspiratórias. Diversas publicações na internet passaram a atribuir a origem do tremor ao HAARP (Programa de Pesquisa Auroral Ativa de Alta Frequência). Como principal argumento para a desinformação, usuários apontaram o fato de a instituição acadêmica ter agendado a escola de verão de “Aeronomia Polar e Radiociência” exatamente para o período entre 4 e 13 de agosto de 2026.
O verdadeiro foco dos estudos científicos
Apesar das alegações que circulam online, o evento acadêmico destina-se estritamente à análise da alta atmosfera e não possui qualquer relação com a estrutura interna do planeta. De acordo com o portal oficial do programa, a iniciativa busca capacitar estudantes e pesquisadores no estudo da ionosfera em latitudes polares, oferecendo treinamento prático e teórico sobre aquecimento ionosférico por meio do Instrumento de Pesquisa Ionosférica (IRI). A tecnologia do HAARP atua emitindo sinais de alta frequência para excitar temporariamente áreas limitadas da ionosfera, viabilizando pesquisas atmosféricas que nada interferem no solo ou nas camadas subterrâneas.
Origem tectônica confirmada por especialistas
Esclarecendo o episódio, o Serviço Geológico da Colômbia ratificou que o terremoto derivou exclusivamente da dinâmica geológica local, descartando qualquer interferência externa. O abalo foi provocado pelo processo de subducção — quando a Placa de Nazca desliza sob a Placa Sul-Americana —, explicação endossada em consenso por sismólogos, geofísicos e geólogos internacionalmente.
Histórico sísmico da região Colômbia
Dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) indicam que, desde 1950, apenas dois tremores de magnitude igual ou superior a 7 haviam sido registrados em um raio de 250 quilômetros daquela área, ambos localizados mais próximos à costa. Embora a zona atingida costume apresentar sismos de menor intensidade, a Colômbia possui um histórico marcado por eventos devastadores. Exemplo disso foi o terremoto superficial de magnitude 6,1 ocorrido em 1999 perto de Armenia, que provocou a morte de mais de mil pessoas e destruiu cerca de metade das residências na cidade de Pereira.