O projeto HAARP criou o devastador terremoto de magnitude 7,4 no solo colombiano?

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A simultaneidade entre o forte abalo sísmico de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia e a realização de um curso promovido pela Universidade do Alasca sobre fenômenos eletromagnéticos ionosféricos reacendeu, nas redes sociais, antigas teorias conspiratórias. Diversas publicações na internet passaram a atribuir a origem do tremor ao HAARP (Programa de Pesquisa Auroral Ativa de Alta Frequência). Como principal argumento para a desinformação, usuários apontaram o fato de a instituição acadêmica ter agendado a escola de verão de “Aeronomia Polar e Radiociência” exatamente para o período entre 4 e 13 de agosto de 2026.

O verdadeiro foco dos estudos científicos

Apesar das alegações que circulam online, o evento acadêmico destina-se estritamente à análise da alta atmosfera e não possui qualquer relação com a estrutura interna do planeta. De acordo com o portal oficial do programa, a iniciativa busca capacitar estudantes e pesquisadores no estudo da ionosfera em latitudes polares, oferecendo treinamento prático e teórico sobre aquecimento ionosférico por meio do Instrumento de Pesquisa Ionosférica (IRI). A tecnologia do HAARP atua emitindo sinais de alta frequência para excitar temporariamente áreas limitadas da ionosfera, viabilizando pesquisas atmosféricas que nada interferem no solo ou nas camadas subterrâneas.

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Epicentro terremoto na Colômbia 10 de agosto de 2026/USGS

Origem tectônica confirmada por especialistas

Esclarecendo o episódio, o Serviço Geológico da Colômbia ratificou que o terremoto derivou exclusivamente da dinâmica geológica local, descartando qualquer interferência externa. O abalo foi provocado pelo processo de subducção — quando a Placa de Nazca desliza sob a Placa Sul-Americana —, explicação endossada em consenso por sismólogos, geofísicos e geólogos internacionalmente.

A borda da placa do Caribe destaca-se pela ampla variedade e expressiva complexidade de seus regimes tectônicos, decorrentes do contacto direto com quatro grandes placas litosféricas: América do Norte, América do Sul, Nazca e Cocos. Nas margens voltadas para a América Central e para o Oceano Atlântico, a presença de fossas oceânicas, cadeias vulcânicas e zonas inclinadas de sismicidade profunda — conhecidas como zonas de Wadati-Benioff — evidencia o processo contínuo de subducção da crosta oceânica. Paralelamente aos processos de subducção, outras formas de deformação crustal ocorrem ao longo dessa fronteira planetária. O registro de tremores em níveis mais rasos da crosta na Guatemala, no norte da Venezuela e no sistema formado pela Fossa e Dorsal das Ilhas Cayman sinaliza a atuação de falhas transformantes associadas à formação de bacias de extensão, demonstrando a dinâmica diversificada que molda a região. Foto/US

Histórico sísmico da região Colômbia

Dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) indicam que, desde 1950, apenas dois tremores de magnitude igual ou superior a 7 haviam sido registrados em um raio de 250 quilômetros daquela área, ambos localizados mais próximos à costa. Embora a zona atingida costume apresentar sismos de menor intensidade, a Colômbia possui um histórico marcado por eventos devastadores. Exemplo disso foi o terremoto superficial de magnitude 6,1 ocorrido em 1999 perto de Armenia, que provocou a morte de mais de mil pessoas e destruiu cerca de metade das residências na cidade de Pereira.

Foto: Ricardo Stuckert/PR e Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

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