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EUA concedem Green Card a Eduardo Bolsonaro em meio a tensões com o Brasil

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O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) obteve o visto de residência permanente nos Estados Unidos, o Green Card, onde reside desde o início do ano passado. A informação, inicialmente divulgada pela Folha de S. Paulo e confirmada pelo GLOBO, foi chancelada pelo jornalista Paulo Figueiredo, aliado da família. Segundo o relato, o processo burocrático estendia-se há mais de um ano, tendo a aprovação final ocorrido neste mês, após o cumprimento das exigências legais exigidas pelas autoridades americanas. O documento assegura ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro o direito de viver, trabalhar e estudar no território americano por tempo indeterminado, sem a necessidade de renovações ou autorizações extraordinárias, superando um trâmite que costuma levar décadas para a maioria dos imigrantes.

O pano de fundo diplomático e comercial

A oficialização da permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos coincide com um período de alta fricção diplomática entre Brasília e Washington. A imposição de novas barreiras tarifárias pela administração de Donald Trump a produtos brasileiros gerou forte mal-estar econômico, tensionando a relação bilateral. O cenário ganhou contornos mais severos após declarações contundentes do secretário de Estado americano, Marco Rubio, direcionadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à cúpula do governo petista, evidenciando o realinhamento de forças e discursos na política externa da Casa Branca.

Enquanto se estabiliza em solo americano, Eduardo enfrenta um cenário de severo revés jurídico no Brasil. No mês passado, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) o condenou a quatro anos e dois meses de prisão em regime inicial semiaberto, além de aplicar uma multa equivalente a 100 salários-mínimos. A decisão da Suprema Corte baseou-se na acusação de coação de magistrados e na articulação de sanções internacionais junto a Washington contra o Judiciário brasileiro. Segundo o colegiado, o ex-parlamentar tentou obstruir as investigações sobre a trama golpista que resultou na condenação de seu pai, Jair Bolsonaro, a 27 anos de reclusão. Como efeito imediato da sentença, foi determinada a inelegibilidade de Eduardo por um período de oito anos após o cumprimento da pena.

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A estratégia migratória e a perda de funções públicas

Eduardo Bolsonaro deixou o Brasil em fevereiro do ano passado amparado por um visto de turista, cuja validade limitava sua permanência legal a aproximadamente seis meses. Sob a alegação de sofrer perseguição política por parte do Judiciário nacional, a defesa do ex-deputado cogitou, no início da jornada, o pedido de asilo político ao governo Trump como via para a regularização migratória. Na ocasião, a movimentação foi legitimada publicamente por Jair Bolsonaro, que argumentou que a atuação do filho no exterior traria maiores benefícios políticos ao grupo do que o seu retorno. O distanciamento geográfico prolongado e o consequente absenteísmo parlamentar resultaram na cassação de seu mandato por excesso de faltas, além da perda definitiva do cargo público que mantinha como escrivão da Polícia Federal.

Planos eleitorais sob nova perspectiva

A obtenção do Green Card altera a dinâmica do planejamento traçado pelos aliados políticos da família Bolsonaro. A estimativa inicial apontava para um retorno do ex-parlamentar ao Brasil entre os meses de julho e agosto deste ano, mirando o calendário eleitoral. O plano original previa a inserção de Eduardo nas disputas majoritárias, seja concorrendo a uma vaga no Senado Federal pelo estado de São Paulo, seja integrando uma chapa presidencial com o capital político herdado do pai. Diante do novo status migratório e das restrições impostas pela condenação no STF, os rumos de sua atuação política passam agora por um novo cálculo estratégico.

Foto: AP

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