Ciclone provoca alerta de ressaca no litoral do Sul e Sudeste e espalha frio polar
Um ciclone extratropical de grande extensão espacial formou-se no Atlântico Sul, alterando o padrão meteorológico no Brasil e acendendo o alerta para ressacas na costa paulista. Registrado pelo satélite GOES-19, o sistema apresentou uma pressão central de apenas 970 hPa, valor atípico para a região e mais comum em latitudes elevadas, fato que mobilizou a atenção de especialistas. A despeito do tamanho, o fenômeno não provocou precipitação sobre o continente; em vez disso, atuou como um impulsionador de massas de ar polar em direção à Argentina, ao Uruguai e ao território brasileiro. O reflexo direto foi uma queda brusca nas temperaturas, que atingiram a marca de -7,7 °C em Bom Jardim da Serra, na região serrana de Santa Catarina.
Dinâmica atmosférica e a origem do ar polar
A intensidade das temperaturas baixas é explicada pela ação combinada de dois sistemas meteorológicos previamente previstos pela MetSul Meteorologia. Enquanto o primeiro ciclone, de menor dimensão e atuante entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai, concentrou seus efeitos na ocorrência de chuvas, o segundo sistema apresentou abrangência superior e impacto direto no declínio térmico. A circulação horária do ciclone funcionou como uma engrenagem que buscou o ar gelado em latitudes próximas à Antártica e o transportou para o continente. O episódio reforça que ciclones nem sempre provocam temporais e vendavais diretos, podendo gerar efeitos indiretos expressivos conforme sua posição, trajetória e maturidade no Atlântico Sul.
Alerta da Marinha para mar agitado no litoral
Nos próximos dias, a tendência é que o ciclone se desloque gradualmente para leste, afastando-se da costa. No entanto, o raio de atuação dos ventos associados à baixa pressão manterá o oceano agitado entre as regiões Sul e Sudeste. Diante do cenário, o Centro Hidrográfico da Marinha e a Diretoria de Hidrografia e Navegação emitiram avisos de mau tempo para segunda e terça-feira, apontando risco de ressaca marítima e ondas que podem atingir entre 2,5 e 3 metros na orla.
Orientação aos moradores e tendência dos próximos dias
Enquanto no interior do continente o sistema não provocará mais instabilidades de chuva devido ao seu rápido deslocamento para alto-mar, as condições em oceano aberto continuam perigosas para a navegação. A orientação para os moradores das zonas litorâneas é evitar a proximidade com a faixa de areia durante os momentos de maior agitação marítima e acompanhar as atualizações oficiais das autoridades navais. O ar frio continuará a predominar no Sul do país ao longo da semana, mantendo a sensação térmica baixa mesmo à medida que o ciclone perde força e se dissipa no Atlântico.