Ciclone extratropical e supercélulas avançam e colocam Centro-Sul em alerta máximo para novos tornados e temporais
O avanço de um ciclone extratropical combinado com uma atmosfera altamente instável potencializa nesta sexta-feira a formação de temporais severos e amplia a área de risco para tornados em setores do Centro-Sul do país. O fenômeno de baixa pressão, originado no contraste térmico entre massas de ar frias e quentes em latitudes médias, já provocou estragos em municípios paranaenses como Francisco Alves e Espigão Alto do Iguaçu entre quarta e quinta-feira. Segundo análises da Climatempo, a região de abrangência agora se expande, atingindo o norte catarinense, todo o Paraná, o sul paulista e o sul sul-mato-grossense.
Fatores atmosféricos e a formação de supercélulas
A persistência de chuvas volumosas e a propensão a tornados decorrem da sinergia entre corredores de umidade vindos do Norte do Brasil e a atuação de um cavado, uma circulação de ventos em baixas pressões estruturada a cerca de cinco quilômetros de altitude que estimula a condensação de nuvens carregadas. Esse arranjo termodinâmico favorece o surgimento de supercélulas, que consistem em tempestades dotadas de correntes de ar ascendentes em rotação interna. Para que tais estruturas alcancem tal desenvolvimento vertical, a atmosfera exige requisitos específicos, como intensa carga de umidade em múltiplos níveis, forte gradiente térmico e expressivas variações de velocidade e direção do vento entre a superfície e as camadas troposféricas mais altas.
Alerta máximo para volumes expressivos e ventania
Sob o impacto conjugado do sistema extratropical e de frentes associadas, o Instituto Nacional de Meteorologia manteve alertas de tempestade para oito estados, com maior gravidade no extremo norte gaúcho, além do centro-oeste de Santa Catarina e do Paraná. Nestas localidades, os prognósticos apontam acumulados pluviométricos diários superiores a 100 milímetros e rajadas eólicas acima de 100 km/h, elevando consideravelmente o potencial para alagamentos, quedas arbóreas e danos estruturais generalizados.
Panorama meteorológico regional para o país
Enquanto a instabilidade domina o Sul e o Sudeste com chuvas contínuas, trovoadas e episódios isolados de granizo, as demais regiões apresentam cenários climáticos diversificados. No Norte, o Amazonas concentra as principais instabilidades, ao passo que o Tocantins e o Pará mantêm o predomínio de sol e pouca nebulosidade. No Nordeste, as precipitações se restringem predominantemente às faixas litorâneas, enquanto o interior desfruta de maiores períodos de insolação. No Centro-Oeste, o Mato Grosso do Sul concentra as condições mais severas de chuva e trovoada, contrastando com a predominância de tempo firme em boa parte do Mato Grosso. No Sudeste, as instabilidades afetam São Paulo, Rio de Janeiro e o sul mineiro e capixaba, com acumulados expressivos e céu majoritariamente nublado nas demais sub-regiões.