Close

​Calorão sem trégua: Brasil deve enfrentar seis ondas de calor pelo país com o avanço do El Niño

Compartilhe

O Brasil deve registrar ao menos seis ondas de calor intenso nos próximos meses, impulsionado pela combinação de um Super El Niño e do aquecimento global. Dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) mostram que o fenômeno, antes restrito a áreas específicas como o Nordeste, passou a abranger o território nacional de forma simultânea. Para configurar uma onda de calor, as temperaturas máximas e mínimas devem permanecer excepcionalmente acima da média por um período mínimo de três dias consecutivos, sem trégua para a população.

O avanço histórico e o mecanismo do calor extremo

A análise de 47 anos de registros climáticos revela uma mudança expressiva no comportamento térmico do país a partir de 2010, acentuada após 2020. Especialistas apontam que o gatilho principal para esses episódios é a formação de bloqueios atmosféricos de alta pressão, que funcionam como uma tampa sobre o território, impedindo a formação de nuvens, inibindo chuvas e aprisionando massas de ar seco. Com a temperatura de base do planeta mais elevada, cada novo sistema estacionário gera picos térmicos mais severos do que nas décadas de 1980 e 1990. Entre 2023 e 2024, o país viveu o ápice da série histórica com nove ondas de calor registradas, expondo mais de 6 milhões de brasileiros a 150 dias de calor extremo.

Leia+  Terremoto no Atlântico Sul é registrado próximo ao litoral da Bahia

Consequências diretas na seca e nos riscos de incêndio

A persistência de dias ensolarados e secos intensifica a evapotranspiração, esgotando rapidamente a umidade do solo e agravando quadros de estiagem em várias regiões. Levantamentos do Cemaden indicam que 157 cidades já enfrentam seca severa, com maior concentração em municípios do Tocantins e da Bahia. Paralelamente, o cruzamento de dados climáticos e de atividade humana aponta que 560 municípios estão em alerta alto para o risco de incêndios, abrangendo mais de 35% do território nacional, com maior vulnerabilidade na faixa que conecta a Amazônia ao Pantanal. Para mitigar esses impactos, o governo federal mantém um gabinete de crise mobilizando milhares de brigadistas federais.

Impactos na economia e no custo dos alimentos

Além dos riscos ambientais e de saúde pública, a sequência de eventos extremos gerados pelo El Niño traz reflexos diretos no bolso dos consumidores. Projeções econômicas indicam que os choques climáticos podem encarecer os alimentos nos próximos meses, com destaque para produtos in natura, como hortaliças e carnes, cujos preços podem subir expressivamente em um cenário de forte escassez e quebra de safras associada à seca prolongada.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

www.clmbrasil.com.br