Close

Bolsonaro Inelegível: entenda o que acontece após condenação no TSE

Compartilhe

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) terminou nesta sexta-feira (30) o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por abuso de poder político e abuso da mídia. Com a decisão, o tribunal declarou que Bolsonaro não seria elegível por oito anos, até 2030.

Bolsonaro foi condenado por abuso de poder político e uso indevido da mídia após atacar o sistema eleitoral sem provas durante uma reunião com embaixadores estrangeiros.

O então presidente e candidato à reeleição Bolsonaro fez declarações sem provas que colocaram em dúvida a segurança das urnas e o processo eleitoral. A reunião foi transmitida no canal oficial do governo e nas redes sociais de Bolsonaro.

A defesa de Bolsonaro disse ao TSE que o encontro com os embaixadores não era de campanha.

o que acontece agora
A decisão impediu Bolsonaro de concorrer às eleições de 2024, 2026 e 2028. Teoricamente ele poderá competir em 2030 com uma diferença de 4 dias. Isso porque a desclassificação é contada a partir de 2 de outubro do ano anterior.

O TSE determinou o cumprimento imediato da decisão, ou seja, o pedido de inabilitação não deve aguardar a publicação oficial do chamado acórdão, que consolida a decisão colegiada dos ministros.

Isso é possível na área eleitoral de acordo com o TSE. O tribunal assume que a medida pode ser colocada em prática, uma vez que os rendimentos esperados da colheita eleitoral não têm efeito suspensivo.

O efeito suspensivo é um mecanismo que impede a aplicação imediata de uma decisão judicial. Ela pode ser obtida, por exemplo, a pedido da defesa no Tribunal de Justiça Federal (STF).

A inegibilidade será realizada administrativamente – o cartório registrará um código, o chamado Código de Atualização da Situação do Eleitor (ASE), que indica a restrição dos direitos políticos de Bolsonaro.

Leia+  Lula cai no 1º turno enquanto Flávio Bolsonaro oscila positivamente, aponta levantamento

As informações são registradas no banco de dados da justiça eleitoral e, quando há uma tentativa definitiva de concorrer a um cargo político, o eventual registro pode ser contestado por outros candidatos, pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) e pelos partidos.

Mesmo sendo condenado no TSE, Bolsonaro pode recorrer ao próprio TSE ou ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A defesa do ex-presidente já sinalizou que pretende recorrer de uma eventual condenação.

Há duas possibilidades de recursos:

  • Embargos de declaração

Recurso que seria enviado ao próprio TSE. Nesse instrumento, a defesa aponta obscuridades e contradições, na tentativa de reverter um eventual resultado pela inelegibilidade e preparar terreno para outro recurso ao STF.

  • Recurso extraordinário

Esse seria enviado ao STF. O documento precisa apontar que uma eventual decisão do TSE pela inelegibilidade feriu princípios constitucionais. O advogado de Bolsonaro, Tarcísio Vieira, afirmou que já vê elementos para esse recurso, seguindo na linha à restrição do direito de defesa.

Os dois recursos têm prazo de três dias. Mas, se for apresentado primeiro o embargo de declaração, o prazo para o recurso extraordinário deixa de contar.

Antes de chegar ao STF, o recurso é apresentado ao próprio TSE, onde caberá o presidente Alexandre de Moraes verificar se os requisitos formais foram preenchidos.

Uma vez que o caso chegue à Suprema Corte, os ministros que atuaram no julgamento no TSE não participam do sorteio para a relatoria, mas não estão impedidos de votar no caso quando for a plenário.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

www.clmbrasil.com.br