UE exclui Brasil de lista de exportadores de carnes por restrições a antimicrobianos; governo vê decisão com “surpresa”
O governo brasileiro manifestou surpresa diante da decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e produtos de origem animal para o bloco. Em nota conjunta, os Ministérios da Agricultura, do Comércio Exterior e das Relações Exteriores informaram que já iniciaram articulações diplomáticas para reverter a medida. O objetivo central é garantir a continuidade de um fluxo comercial que já dura quatro décadas, assegurando que o país retome seu status de fornecedor autorizado antes que a proibição entre em vigor, no dia 3 de setembro.
O impasse dos antimicrobianos na pecuária
A exclusão brasileira fundamenta-se na ausência de garantias sobre o não uso de antimicrobianos como promotores de crescimento na produção animal. Segundo autoridades europeias, para que o comércio seja retomado, o Brasil precisa comprovar o cumprimento rigoroso das normas do bloco durante todo o ciclo de vida dos animais. Enquanto vizinhos do Mercosul, como Argentina e Uruguai, permanecem habilitados, o Brasil enfrenta o desafio de demonstrar que substâncias como a virginiamicina e a avoparcina foram efetivamente banidas ou que há rastreabilidade suficiente para garantir que os produtos exportados estejam livres desses componentes.
Estratégias para a retomada do mercado
O Ministério da Agricultura já havia dado passos para se adequar às exigências através de portarias que proíbem a fabricação e o uso de determinados medicamentos. No entanto, analistas do setor indicam que a adequação total exige um sistema de rastreabilidade robusto, o que pode ser oneroso e demorado. Uma reunião crucial entre a chefia da Delegação do Brasil junto à União Europeia e autoridades sanitárias internacionais está agendada para discutir os critérios técnicos. O bloco europeu sinalizou que as exportações poderão ser retomadas assim que a conformidade do sistema sanitário brasileiro for plenamente demonstrada.
As principais entidades do agronegócio, como a Abiec e a ABPA, defendem a qualidade do sistema de inspeção brasileiro e acreditam que o impasse será resolvido mediante a prestação de esclarecimentos técnicos. Representantes da indústria de mel, por outro lado, classificam a medida como política, sugerindo que as restrições são reflexo de pressões internas do mercado europeu frente ao acordo com o Mercosul. A preocupação é justificada pelo peso econômico do bloco, que figura como o segundo maior mercado para as carnes brasileiras em geral, atrás apenas da China, sendo um destino estratégico para proteínas de alto valor agregado.