Terremoto atinge o Tibete em meio a alertas de novos desastres na fronteira com o Nepal
Uma tragédia de grandes proporções atingiu as regiões fronteiriças entre o Nepal e a China após o colapso de uma geleira provocar o desabamento de uma parede de lama e rocha em um rio do Himalaia. A enxurrada devastadora destruiu cidades e vales, resultando em pelo menos 362 mortos confirmados pela polícia nepalesa. O número de vítimas fatais deve subir à medida que as buscas avançam. Paralelamente, um terremoto de magnitude 5,0 atingiu o norte do Tibete a uma profundidade de 10 km, aumentando o clima de instabilidade na região, embora o epicentro do abalo tenha ficado centenas de quilômetros ao norte da área mais afetada pelas inundações.
Estrangeiros e turistas isolados nas áreas de fronteira
Quase 1.500 pessoas continuam desaparecidas no Nepal e no Tibete. Entre elas, estão cerca de 800 estrangeiros provenientes de mais de vinte países, incluindo 177 indianos, 63 norte-americanos, 34 australianos, 33 britânicos e 25 canadenses. No condado de Gyirong, no lado chinês, a emissora estatal CCTV informou que 558 pessoas estão desaparecidas, sendo 260 estrangeiras. Registros em vídeo confirmam a força da água arrastando pessoas, casas e infraestruturas na passagem fronteiriça.
Excursão britânica e irlandesa no Monte Kailash
Entre os casos acompanhados com apreensão está o de um grupo de excursionistas que realizava um trajeto de nove dias rumo ao Monte Kailash. A agência Alpine Eco Trek relatou o desaparecimento de dois cidadãos irlandeses, 12 britânicos — incluindo uma adolescente de 13 anos — e quatro sul-africanos. O contato com os guias foi perdido no momento em que o grupo entrava no posto de imigração tibetano. As instalações também acabaram atingidas pela forte correnteza de lama e detritos.
Ameaça de novas enchentes e resposta emergencial
A crise pode se agravar devido à formação de dois lagos em lados opostos da fronteira, que correm risco iminente de rompimento. Autoridades do Nepal e da China emitiram novos alertas. No terreno, equipes de resgate utilizam helicópteros para salvar sobreviventes e lançar alimentos e suprimentos em vilarejos totalmente isolados. A Cruz Vermelha e o governo nepalês trabalham na montagem de abrigos temporários, suporte psicológico para as famílias traumatizadas e no planejamento de reconstrução a longo prazo.