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“Se tiver, vai perder”: Lula revela aviso duro a Trump contra ingerência nas eleições

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (4) ter dito ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que o Brasil não aceita ingerência de ninguém nas eleições.

O petista concedeu entrevista para a Rádio Progresso, de Juazeiro do Norte (CE). Questionado se achava que haveria possibilidade de interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral deste ano, Lula afirmou:

“Se tiver, vai perder. Eu disse para o Trump isso. Seguinte, nós não aceitamos ingerência de ninguém nas eleições. E se entrar, vai perder Se tiver, vai perder”, disse Lula.

O diálogo foi descrito pelo Palácio do Planalto como de tom “amistoso e cordial”, e o presidente brasileiro afirmou que as alegações norte-americanas para a recente imposição de tarifas contra produtos brasileiros são “infundadas”.

Na ligação, Trump perguntou a Lula sobre as eleições de outubro. Segundo fontes da diplomacia brasileira, Lula respondeu que o processo eleitoral corre bem e de forma confiável.

A abordagem, ainda de acordo com esses interlocutores, foi considerada casual e não representou uma cobrança de explicações ao Brasil. Na ligação, Trump não levantou especulações sobre o sistema eleitoral brasileiro nem fez questionamentos sobre as urnas eletrônicas.

Na entrevista desta sexta-feira, Lula afirmou ter uma boa relação com Trump e que depois se os EUA não quiserem comprar do Brasil, não vai ficar chorando.

“Essa taxação do Trump fez com que a relação comercial caísse, mas crescemos em 17 países. Todos os países que visitei cresceu mais de 10%. Se EUA não quiser comprar da gente, vou ficar chorando, resmungando? Não, vou procurar quem quer comprar. Quando era pequeno vendia o que tivesse que vender, não ficava chorando, eu ia em outro portão até encontrar quem queria. Nós precisamos ser muito respeitado, minha relação com Trump é boa”, afirmou.

Após a ligação no fim de agosto entre Lula e Trump, Brasil e EUA retomaram as negociações sobre o tarifaço norte-americano contra exportações brasileiras.

Os ministros Mauro Vieira (Itamaraty) e Márcio Elias Rosa (MDIC) participaram de uma conversa virtual com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, além de outros integrantes dos governos brasileiro e norte-americano na última segunda-feira (31) para discutir sobre tarifas aplicadas contra produtos brasileiros.

Após a reunião, os ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio divulgaram uma nota conjunta na qual informaram que os ministros das pastas afirmaram a representantes do governo americano que não concordam com “o tratamento discriminatório” e “injusto” dos Estados Unidos contra produtos brasileiros.

Segundo as pastas, o governo brasileiro disse também que o Brasil está “aberto” ao diálogo para conduzir novas negociações.

“Os ministros reiteraram, ademais, que o governo brasileiro não concorda com as medidas unilaterais impostas contra o país, que não são compatíveis com as regras multilaterais de comércio”, afirma a nota.
Recentemente, os Estados Unidos anunciaram duas tarifas adicionais sobre produtos brasileiros vendidos no mercado americano:


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25%: diante do entendimento da Casa Branca de que o Brasil adota práticas desleais contra empresários americanos em seis setores da economia (como PIX, desmatamento, propriedade intelectual e etanol);
12,5%: diante do entendimento da Casa Branca de que dezenas de países, incluindo o Brasil, falharam ao proibir ou fiscalizar a importação de mercadorias produzidas onde há trabalho forçado.
Em reação às medidas, o Brasil acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC), alegando que os Estados Unidos agiram de maneira discriminatória e feriram compromissos do próprio país na entidade.

O governo americano já respondeu que está “à disposição” para conversar sobre o tema, mas não indicou se haverá reversão ou não.

Diplomatas brasileiros dizem, nos bastidores, que não esperam uma reversão do tarifaço a partir de uma eventual decisão da OMC, mas que a medida marca, diante da comunidade internacional, a posição do Brasil sobre o tema.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta sexta-feira (4), durante entrevista à Rádio Progresso, de Juazeiro do Norte (CE), ter advertido o colega americano Donald Trump de que o país rejeita qualquer interferência externa no processo eleitoral brasileiro. A manifestação ocorreu após ser questionado sobre possíveis investidas dos Estados Unidos nas eleições de outubro, ocasião em que reforçou uma postura de firmeza institucional ao relatar o teor da conversa telefônica mantida com o líder norte-americano no final de agosto.

Diálogo bilateral e tarifas

A ligação entre os mandatários, classificada pelo Palácio do Planalto como amistosa, abrangeu o cenário das eleições e as recentes divergências econômicas decorrentes da imposição de barreiras alfandegárias. Trump questionou o presidente brasileiro sobre o pleito que se aproxima, obtendo como resposta que a votação transcorre de maneira confiável, em um intercâmbio avaliado por diplomatas como uma abordagem casual sem contornos de cobrança. Em paralelo às discussões políticas, o governo brasileiro classificou as justificativas de Washington para as novas tarifas como infundadas, minimizando eventuais impactos econômicos ao destacar a diversificação das exportações para outros mercados internacionais.

Retomada das negociações

Como desdobramento do contato telefônico, equipes ministeriais de ambos os países reataram os diálogos na última segunda-feira (31), por meio de uma conferência virtual que reuniu os ministros Mauro Vieira e Márcio Elias Rosa com autoridades comerciais dos Estados Unidos. Na ocasião, o governo brasileiro reiterou oposição formal ao tratamento discriminatório e às medidas unilaterais impostas contra mercadorias nacionais, que incluem taxas adicionais de 25% ligadas a litígios econômicos setoriais e de 12,5% referentes a alegações sobre fiscalização de trabalho forçado. Diante do impasse comercial, o Brasil formalizou um acionamento junto à Organização Mundial do Comércio para contestar as barreiras, enquanto os EUA sinalizaram abertura para o diálogo, embora sem garantias de reversão das sanções tarifárias.

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