Operação Compliance Zero: PF faz buscas contra Cláudio Castro por aportes do Rioprevidência ao Master

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O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), foi o principal alvo da oitava fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF). A ação investiga um esquema de crimes financeiros e desvios de recursos públicos que teriam beneficiado o Banco Master, conglomerado financeiro comandado pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Ao todo, os agentes federais saíram para cumprir dez mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Distrito Federal, expedidos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

As buscas na residência de Castro, localizada em um condomínio de alto padrão na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, duraram cerca de três horas. Os agentes deixaram o local no início da manhã carregando dois celulares apreendidos. Em nota, a defesa do ex-governante, representada pelo advogado Carlo Luchione, limitou-se a informar que ele acompanhou o trabalho dos policiais com serenidade. Esta é a segunda vez em menos de duas semanas que Castro recebe a PF em sua porta; em meados de maio, ele já havia sido alvo da Operação Sem Refino, que apura fraudes fiscais no setor de combustíveis.

O rastro do dinheiro público e o rombo no Rioprevidência

O foco central do inquérito está no direcionamento de aproximadamente R$ 3 bilhões dos cofres fluminenses para a instituição financeira de Vorcaro, que atualmente encontra-se preso em Brasília. De acordo com os investigadores, a maior parte dessa fortuna partiu do Rioprevidência, a autarquia responsável por gerir as aposentadorias e pensões de 235 mil beneficiários do estado. A PF aponta indícios contundentes de gestão fraudulenta, créditos falsos e lavagem de dinheiro no banco, que acabou sofrendo liquidação.

A ofensiva atual é um desdobramento direto da Operação Barco de Papel, iniciada no começo do ano, quando se descobriu um aporte suspeito de R$ 970 milhões entre o fim de 2023 e o primeiro semestre de 2024. Naquela ocasião, o escândalo culminou na prisão de Deivis Marcon Antunes, ex-presidente do fundo de previdência que já havia sido exonerado do cargo. Nesta nova fase, os agentes retornaram ao endereço de Antunes, em Botafogo, após descobrirem que o grupo realizou novas aplicações de R$ 2,01 bilhões a partir de julho de 2024, elevando o montante total sob suspeita.

Alertas ignorados e a pressão por uma CPI na Alerj

O caso também ecoa no Legislativo fluminense, onde os contornos do esquema já vinham sendo desenhados por órgãos de controle. Cálculos preliminares do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) indicavam um volume menor de transferências e revelaram que a cúpula do Rioprevidência continuou injetando dinheiro na instituição mesmo após proibições expressas do tribunal. Além dos recursos previdenciários, a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) também teria sido utilizada para inflar o caixa do banco com um aporte de R$ 200 milhões.

Diante do volume de irregularidades e das divergências de valores — já que a PF descobriu um rombo ainda maior do que o estimado pelo Tribunal de Contas —, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) começou a se movimentar. O deputado estadual Flávio Serafini (PSOL) conseguiu reunir as assinaturas necessárias para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a destrinchar os investimentos do estado no Banco Master. Embora o requerimento tenha sido protocolado e validado politicamente, a instalação formal do colegiado para iniciar os depoimentos ainda não aconteceu.

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