Incêndios florestais se alastram: mais de 100 mil pessoas são forçadas a fugir ou ficar confinadas na França e Espanha

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A Europa enfrenta uma crise ambiental e humanitária sem precedentes com o avanço implacável de megaincêndios florestais na Espanha e na França. Impulsionados por ondas de calor extremo e seca severa, os focos de incêndio já deixaram mais de 100 mil pessoas entre evacuados e confinados. A dimensão do desastre forçou Madri a decretar estado de emergência nacional, enquanto as autoridades francesas coordenam operações de resgate em massa por terra e mar para retirar moradores e turistas de regiões históricas de veraneio.

Na costa atlântica francesa, o departamento de Gironde tornou-se o epicentro da emergência. As autoridades locais ordenaram a evacuação progressiva, vila por vila, de toda a península de Cap Ferret. O fogo, considerado altamente imprevisível, destruiu mais de 12.500 hectares e ameaça bloquear a única rodovia de acesso à região, famosa por abrigar vilas históricas e residências de luxo.

Diante do bloqueio iminente das vias terrestres, uma operação de emergência utilizou barcos para resgatar centenas de pessoas nos píeres da península. Ao todo, mais de 60 mil pessoas — incluindo milhares de veranistas instalados em acampamentos e casas de aluguel — foram retiradas em apenas 48 horas. A destruição já atinge infraestruturas locais, com pelo menos 80 residências consumidas pelas chamas de até 10 metros de altura que avançam sobre os bosques de pinheiros.

Tragédia humana e múltiplos focos no Sudoeste francês

A intensidade das chamas impressiona até mesmo os moradores mais antigos. Relatos locais descrevem um cenário de devastação total e perdas inestimáveis no setor florestal da região. Paralelamente, mais ao sul, perto do balneário de Biscarrosse, outro incêndio descontrolado já queimou mais de 2.500 hectares, exigindo a evacuação de 31 mil pessoas adicionais.

A situação no sudoeste francês permanece crítica e extremamente dinâmica devido ao aparecimento constante de novos focos à frente da linha principal do fogo. Apenas no setor ao norte da baía de Arcachon, cerca de 800 bombeiros e quatro aeronaves trabalham continuamente, mas ainda não conseguiram conter o avanço do incêndio iniciado na última quarta-feira.

Espanha declara emergência nacional sem precedentes

A situação na Espanha é igualmente grave e levou o governo central a tomar uma medida inédita: a declaração do primeiro estado de emergência nacional motivado por incêndio florestal. A decisão foi tomada após a fusão de dois grandes focos nas proximidades de Madri, que agora ameaçam se unir a um terceiro incêndio.

Autoridades espanholas descrevem o cenário como uma “tempestade perfeita”, na qual temperaturas severas e rajadas de vento implacáveis inviabilizam o combate tradicional. A escala da crise reflete o impacto das mudanças climáticas no continente europeu, que tem aquecido a um ritmo duas vezes superior à média global, ressecando solos e tornando a vegetação combustível ideal para queimadas devastadoras.

Mobilização internacional e cooperação europeia

Diante do esgotamento dos recursos nacionais, França e Espanha acionaram o mecanismo de proteção civil da União Europeia para solicitar reforços internacionais. O governo francês confirmou que receberá apoio aéreo estratégico composto por aeronaves da Croácia e de Portugal, além de helicópteros de grande porte enviados pela República Tcheca e Eslováquia.

O panorama nacional na França aponta para dezenas de focos ativos simultâneos e mais de 50 mil hectares devastados no ano — quase o quádruplo do registrado no mesmo período do ano anterior. Embora o cenário no sudeste francês apresente ligeira melhora, permitindo o redirecionamento de equipes para o sudoeste, a prioridade das forças europeias permanece na contenção das chamas que ameaçam novos centros urbanos.

 Foto: XNY/Star Max/GC Images.

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