Morte por hantavírus em MG: SES confirma óbito e alerta para riscos em lavouras
Até o momento, Minas Gerais detém o único registro de óbito por hantavirose no Brasil em 2026. A vítima, um homem de 46 anos, residia em Carmo do Paranaíba, na região do Alto Paranaíba. Segundo informações divulgadas pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) neste domingo (10), o paciente tinha histórico de exposição direta a roedores silvestres em áreas de lavoura. A confirmação do diagnóstico foi realizada pela Fundação Ezequiel Dias (Funed).
As autoridades de saúde reforçam que este é um caso isolado e não possui qualquer vínculo epidemiológico com o surto ocorrido recentemente em um navio que partiu da Argentina em direção a Cabo Verde. De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil confirmou sete casos da doença até o dia 27 de abril, sendo dois deles em Minas Gerais. É importante destacar que nenhum dos registros nacionais deste ano está associado ao genótipo Andes, variante que permite a transmissão entre humanos e que foi identificada no incidente do cruzeiro.
Panorama epidemiológico e comparação anual
Embora o número atual pareça baixo, os dados de 2025 servem de alerta para a gravidade da doença. No ano passado, o Brasil contabilizou 35 casos confirmados com 15 mortes registradas. Em território mineiro, foram seis diagnósticos e quatro óbitos em 2025, evidenciando uma alta taxa de letalidade. A hantavirose é uma zoonose causada por vírus presentes na saliva, urina e fezes de roedores silvestres, sendo a inalação desses aerossóis a principal via de contágio para o homem.
Sintomas, gravidade e manejo clínico
O quadro clínico inicial da hantavirose pode ser confundido com outras infecções, apresentando sintomas como febre, dores musculares, fadiga, cefaleia e problemas abdominais. Entretanto, a condição pode evoluir rapidamente para a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus, causando desconforto respiratório grave. Como não existe um tratamento antiviral específico ou vacina, o manejo do paciente é estritamente de suporte hospitalar, focado no controle dos sintomas e na estabilização das funções vitais conforme a avaliação médica.
Para mitigar os riscos de infecção, a SES-MG recomenda rigor no controle sanitário e ambiental, especialmente em áreas rurais. O armazenamento de alimentos deve ser feito em recipientes hermeticamente fechados para evitar a atração de roedores, e o lixo ou entulhos devem ter destinação adequada. É fundamental manter terrenos limpos e evitar que plantações fiquem a menos de 40 metros das residências.
Outro cuidado essencial envolve a ventilação de locais que ficaram fechados por muito tempo, como galpões ou paióis. A recomendação técnica é abrir as janelas e portas para arejar o ambiente antes de entrar e jamais realizar a varredura a seco. O ideal é umedecer o chão com solução de água e sabão ou desinfetante para evitar a suspensão de partículas de poeira que possam conter o vírus.