Gatilho atômico: Coreia do Norte altera Constituição e ordena ataque nuclear automático se Kim Jong Un for morto
A Coreia do Norte promoveu uma revisão estratégica em sua Constituição, estabelecendo a obrigatoriedade de um ataque nuclear imediato caso o líder Kim Jong Un seja morto ou incapacitado. A informação, revelada pelo jornal britânico The Telegraph, baseia-se em relatórios de inteligência da Coreia do Sul apresentados recentemente ao Parlamento em Seul. Com essa mudança, Pyongyang formaliza protocolos de defesa que garantem uma resposta atômica retaliatória mesmo diante de uma “decapitação” de seu comando central.
O gatilho da “resposta automática”
De acordo com as novas diretrizes do Artigo 3 da carta magna norte-coreana, o sistema de comando e controle do país está agora programado para agir de forma autônoma. Se a estrutura de liderança for ameaçada por uma ofensiva hostil, o texto constitucional determina que um contra-ataque nuclear deve ser lançado “automática e imediatamente”. Analistas de inteligência apontam que a medida visa desestimular qualquer tentativa militar estrangeira de eliminar o alto escalão do regime para paralisar o país.
O contexto de insegurança global
A decisão de Pyongyang reflete uma percepção de vulnerabilidade diante de eventos internacionais recentes. O regime norte-coreano demonstra receio de que os Estados Unidos e seus aliados adotem táticas de remoção direta de líderes hostis. Esse temor foi amplificado por episódios recentes, como a operação americana na Venezuela que resultou na retirada de Nicolás Maduro em janeiro, e as ações conjuntas entre EUA e Israel que culminaram na morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei. Para Kim Jong Un, a formalização da retaliação automática serve como uma apólice de seguro contra operações de inteligência similares.
Além das cláusulas nucleares, a reforma constitucional marcou um rompimento histórico com o passado diplomático da península. O novo texto remove todas as referências à reunificação com a Coreia do Sul, tratando agora os dois países como Estados inteiramente distintos e soberanos. Especialistas, como o professor Edward Howell, da Universidade de Oxford, observam que essa mudança sinaliza que, para Pyongyang, a percepção de uma “única Coreia” foi permanentemente abandonada em favor de uma coexistência — ou confrontação — entre vizinhos separados.
Novas fronteiras e status nuclear
Pela primeira vez em sua história, a Coreia do Norte incluiu uma cláusula territorial específica, definindo oficialmente suas fronteiras com a China, Rússia e Coreia do Sul, incluindo espaço aéreo e águas territoriais. O documento reforça que o país é um “Estado com armas nucleares responsável”, alegando que a expansão de seu arsenal é essencial para a sobrevivência nacional e para a estabilidade regional. Atualmente, avaliações internacionais indicam que a capacidade bélica do regime já é suficiente para atingir não apenas alvos regionais, como Japão e Coreia do Sul, mas também o território continental dos Estados Unidos.