Lideranças do Novo pressionam Zema a recuar nas críticas contra Flávio Bolsonaro

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A postura do ex-governador Romeu Zema (Novo) em intensificar ataques contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) gerou um clima de apreensão interna no Novo. Líderes da legenda expressam receio de que o conflito direto prejudique o desempenho do partido nas eleições deste ano, dificultando o alcance da cláusula de barreira e a ampliação da bancada parlamentar. Existe o temor, inclusive, de que a estratégia acabe beneficiando indiretamente a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Embora tenha tentado encerrar o assunto publicamente no passado, Zema mantém uma rotina de críticas ao senador em seus atos de pré-campanha, alegando que a permanência de Flávio na disputa favorece o projeto político do atual governo. Esse comportamento individualista tem sido motivo de divergência, com vozes influentes na sigla cobrando uma postura mais cautelosa, similar à adotada pelo ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), que optou por exigir investigações sem partir para o confronto pessoal.

Racha com o PL e ameaças a alianças estaduais

A escalada verbal de Zema provocou uma reação em cadeia, ameaçando parcerias estratégicas do Novo com o PL em diversos estados. Em Minas Gerais, alianças que envolviam o nome de Mateus Simões (PSD) ao governo estadual foram descartadas, assim como qualquer possibilidade de uma futura composição nacional com o senador bolsonarista.

A tensão atingiu um nível de hostilidade aberta, com parlamentares do PL, como o deputado estadual mineiro Sargento Rodrigues, classificando o ex-governador como “traidor” e conclamando o apoio fechado em torno de Flávio Bolsonaro. O reflexo negativo também é observado no Rio Grande do Sul, onde aliados do deputado federal Marcel Van Hattem, figura próxima ao clã Bolsonaro, temem que a briga nacional prejudique articulações regionais e candidaturas majoritárias da sigla.

Movimentações no mercado e o futuro das composições

Durante um encontro com investidores promovido pela Genial Investimentos, Zema reiterou suas críticas a Flávio enquanto se posicionava como uma alternativa viável para derrotar o PT. Na ocasião, o ex-governador não descartou uma eventual aliança com Ronaldo Caiado, reforçando que as definições de chapas e composições só devem ser consolidadas próximo ao prazo final das convenções partidárias, em julho.

O posicionamento de Zema, no entanto, segue sendo contestado por membros da própria estrutura do Novo. Jeffrey Chiquini, dirigente da legenda no Paraná, manifestou publicamente que a estratégia de ataque não reflete a visão do partido, classificando a condução de Zema como uma decisão individual que coloca em risco os objetivos eleitorais coletivos da sigla.

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