Irã oferece fim do conflito e abertura de Ormuz em proposta aos EUA, mas quer adiar debate sobre urânio
Teerã apresentou uma nova proposta diplomática aos Estados Unidos visando a reabertura do Estreito de Ormuz e o fim das hostilidades militares. Segundo informações reveladas pelo portal Axios neste domingo, o governo iraniano sugere priorizar a resolução do impasse naval e o encerramento da guerra, deixando as discussões sobre seu programa nuclear para uma etapa posterior. A iniciativa surge após o fracasso de uma tentativa de diálogo no Paquistão durante o fim de semana, que não chegou a se concretizar.
A mensagem teria sido transmitida a Washington por meio de mediadores paquistaneses. O movimento diplomático ocorreu em um momento de intensa movimentação do ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, que visitou Omã e o Paquistão antes de seguir para a Rússia. Apesar da nova oferta, o presidente Donald Trump indicou que não pretende enviar uma equipe de negociação imediatamente, sinalizando que a comunicação poderia ser feita diretamente por telefone, caso os iranianos desejem conversar.
O impasse estratégico e a economia global
O Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo e gás natural do mundo, tornou-se o ponto central da crise desde o cessar-fogo de 8 de abril. Enquanto o Irã restringiu a circulação na via, os EUA responderam com um bloqueio rigoroso aos portos iranianos. A proposta de Teerã tenta reverter o isolamento econômico em troca da liberação do tráfego marítimo, mas a Casa Branca teme que resolver este ponto agora retire o poder de barganha necessário para futuras concessões sobre o programa nuclear.
As consequências econômicas já são sentidas globalmente. Com a insegurança no Golfo Pérsico, os preços do petróleo subiram drasticamente, com o Brent atingindo a marca de US$ 106,68 o barril. O impacto é reflexo do acúmulo de petroleiros retidos na região desde o início dos ataques em fevereiro, interrompendo o fornecimento de fertilizantes e gás natural liquefeito. Mesmo com a redução dos combates diretos, o quase fechamento do estreito mantém o mercado energético sob extrema pressão.
A barreira nuclear e as tensões militares
Apesar da oferta de paz, a questão nuclear continua sendo o maior obstáculo. Trump tem reiterado que não aceitará nenhum acordo que não inclua o fim definitivo das atividades atômicas de Teerã. Atualmente, o Irã possui cerca de 440 quilos de urânio enriquecido a 60%, nível que especialistas consideram um passo técnico curto para a produção de armamentos. Israel também mantém uma postura rígida, insistindo que o desmantelamento das ambições nucleares iranianas é condição obrigatória para qualquer tratado de paz duradouro.
Enquanto a diplomacia patina, a retórica militar permanece agressiva. O comando militar do Irã alertou para respostas severas contra o que chamou de “pirataria e bloqueios navais” por parte dos EUA. Por outro lado, Donald Trump já ordenou ações de força contra pequenas embarcações suspeitas de instalar minas nas rotas comerciais. No último sábado, o presidente americano afirmou ter recebido uma proposta “muito melhor” de Teerã logo após cancelar o envio de seus emissários ao Paquistão, mas manteve o tom de alerta: a renúncia às armas nucleares não é negociável.