Hantavírus: CDC ativa alerta de emergência nos EUA após mortes em navio de cruzeiro
O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos elevou o status do surto de hantavírus para o “Nível 3”, ativando oficialmente seus centros de operações de emergência. Apesar da medida, as autoridades ressaltam que este é o patamar mais baixo de ativação, indicando que o risco para a população em geral permanece reduzido, corroborando a avaliação feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
A ativação de Nível 3 é uma resposta comum em desastres naturais de pequena escala e implica na criação de uma equipe dedicada ao problema. Com isso, especialistas como epidemiologistas, cientistas e médicos podem ser mobilizados para monitorar a propagação da doença e oferecer suporte técnico direto.
Foco no Navio MV Hondius
O ponto central da preocupação atual é o navio de cruzeiro M/V Hondius, de bandeira holandesa. O CDC confirmou que monitora atentamente os viajantes americanos que estiveram a bordo. A embarcação segue em direção às Ilhas Canárias, com previsão de chegada para este sábado.
O Departamento de Estado americano lidera uma força-tarefa que envolve coordenação diplomática e contato direto com os passageiros. Em pronunciamento, o presidente Donald Trump afirmou estar ciente da situação, destacando que o surto parece estar sob controle. Um relatório detalhado sobre o caso deve ser divulgado pela Casa Branca nesta sexta-feira.
Até o momento, o monitoramento foca em seis americanos que desembarcaram na ilha de Santa Helena no dia 24 de abril, antes de o surto ser identificado. Agências de saúde estaduais no Texas, Geórgia, Arizona e Virgínia acompanham os residentes que retornaram.
Embora o hantavírus apresente um quadro grave, todos os passageiros americanos monitorados até agora estão assintomáticos e seguem protocolos de verificação de temperatura. As autoridades locais reforçam que, no momento do desembarque, esses indivíduos não tinham conhecimento da exposição ao vírus.
Casos confirmados e resposta internacional
A situação ganhou contornos globais quando um homem que desembarcou do navio buscou atendimento médico em Zurique, na Suíça, apresentando sintomas. Na Europa, o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) também ativou protocolos de resposta, focando especialmente na variante do hantavírus dos Andes, conhecida pela alta taxa de letalidade, que pode chegar a 40%.
Atualmente, três pacientes com suspeita da doença foram evacuados por helicóptero enquanto o navio navegava pela costa de Cabo Verde. Entre os retirados para tratamento em Amsterdã estão um guia de expedição britânico, um cidadão holandês e um alemão.
A Organização Mundial da Saúde confirmou, até o momento, oito casos suspeitos e três mortes relacionadas ao surto. O diretor-geral da OMS, Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou para a possibilidade de novos diagnósticos surgirem nos próximos dias. Além dos casos vinculados diretamente ao navio, um caso suspeito foi reportado na ilha de Tristão da Cunha, local onde o MV Hondius realizou uma breve parada em meados de abril.