Ídolos do coração: quando o “eu” ocupa o lugar de Deus
O apóstolo João escreve: “Filhinhos, guardem-se dos ídolos” (1 João 5:21). De acordo com o dicionário Webster, a definição de idolatria é “a adoração de ídolos ou excessiva devoção ou reverência por alguma pessoa ou coisa”. Um ídolo é qualquer coisa que substitua o único Deus verdadeiro. O que quer que valorizemos, o que quer que dirija nossos pensamentos e ações, se torna um ídolo, e esses ídolos entorpecem nosso coração e nos afastam de Deus.
A idolatria se estende além da adoração de imagens e falsos deuses. É uma questão do coração, associada ao orgulho, egocentrismo, ganância, glutonaria e amor pelas posses. Jesus disse: “Ninguém pode servir a dois senhores, pois odiará um e amará o outro; será dedicado a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro” (Mateus 6:24).
Já que um ídolo pode ser qualquer coisa que toma o lugar de Deus como o foco e a prioridade mais importantes em nossa vida, vamos dar uma olhada em algumas coisas que são ou podem se tornar ídolos em nossa caminhada.
O ORGULHO, por definição, é uma opinião excessivamente alta de si mesmo. Isso resulta em que o status da pessoa, suas necessidades, desejos, grandeza e imagem pública sejam o seu principal interesse e preocupação, independentemente de como isso afeta os outros. As pessoas orgulhosas pensam que são importantes ou superiores por causa de quem são, o que têm ou o que fizeram. O orgulho acontece quando levamos o crédito por nossas realizações e esquecemos que Deus é Aquele que nos deu a nossa capacidade. Deus odeia esse tipo de orgulho e, mais cedo ou mais tarde, haverá consequências, como vemos no que aconteceu com o rei Nabucodonosor em Daniel 4:28-37.
Se não reconhecermos que o orgulho é um ídolo e uma constante tentação, e não nos arrependermos dele, não cresceremos espiritualmente à medida que Deus quer para nós. “Assim diz o Senhor: ‘Não se glorie o sábio em sua sabedoria nem o forte em sua força nem o rico em sua riqueza, mas quem se gloriar, glorie-se nisto: em compreender-me e conhecer-me, pois eu sou o Senhor e ajo com lealdade, com justiça e com retidão sobre a terra, pois é dessas coisas que me agrado’, declara o Senhor” (Jeremias 9:23-24).
O EGOÍSMO vem do mundo, da carne e do diabo, e grandemente impede nosso crescimento espiritual porque toda a ênfase da Escritura está em nossos relacionamentos com Deus e com os outros. O desejo de ser o primeiro e o desejo de ter o máximo não são as características de uma pessoa sob o controle do Espírito Santo; na verdade, o oposto é a verdade. As Escrituras nos dizem: “Contudo, se vocês abrigam no coração inveja amarga e ambição egoísta, não se gloriem disso, nem neguem a verdade. Esse tipo de ‘sabedoria’ não vem dos céus, mas é terrena; não é espiritual, mas é demoníaca. Pois onde há inveja e ambição egoísta, aí há confusão e toda espécie de males“ (Tiago 3:14-16).
Somente através da entrega ao nosso Pai podemos nos libertar do ídolo do ego e do egoísmo. Ao fazê-lo, encontramos a liberdade de ser tudo o que Deus nos criou para ser: homens e mulheres de propósito destinados a glorificar nosso Criador.
A GANÂNCIA pode ser descrita como um desejo insaciável de ter mais dinheiro ou posses para satisfação própria, enquanto ignoramos Deus, a eternidade e a necessidade dos outros. Paulo afirma que “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males” (1 Timóteo 6:10). A ganância coloca um valor errado em coisas temporárias. Trata as coisas passageiras como se elas, e nós, durássemos na terra para sempre. Mas, de fato, poderíamos morrer hoje ou todas as nossas posses poderiam ser tomadas de nós instantaneamente, como lemos no exemplo bíblico da parábola do rico tolo em Lucas 12:13-21.
O EGOCENTRISMO: uma pessoa autocentrada está excessivamente preocupada consigo mesma e com suas próprias necessidades. Elas são egoístas e tendem a ignorar as necessidades dos outros, fazendo apenas o que é melhor para si mesmas. Jesus aborda o cerne do pecado do egocentrismo com esta declaração clara: “Se alguém quer ser meu discípulo, negue a si mesmo, tome sua cruz e siga-me“ (Mateus 16:24). Negar a si mesmo significa deixar as coisas materiais que são usadas para gratificar a si próprio. É abandonar os desejos egoístas e a segurança terrena para concentrar-se nos interesses de Deus (Mateus 6:33); literalmente, significa passar do egocentrismo para o centramento em Deus, onde o ego não está mais no comando, mas Cristo governa nossos corações. Todos nós temos uma tendência ao egocentrismo, que é outra prática de idolatria. A questão é: o que permitiremos ter controle de nossas vidas; a carne ou o Espírito? (Romanos 13:14; 1 Pedro 2:11; 1 João 2:15-16).
A GULA: comer e beber não são contrários à vontade de Deus. No entanto, o propósito que impulsiona o nosso desejo pode ser. Se estamos comendo e bebendo excessivamente com o propósito de escapar das dificuldades da vida, agimos com glutonaria. Não devemos substituir a dependência de Deus pelo comer e beber para nos sustentar em momentos difíceis. O propósito da alimentação é sustentar nossos corpos, e não fazer da comida ou bebida um ídolo que subjuga nossos sentidos. Deus nos abençoou enchendo a terra com alimentos deliciosos, nutritivos e prazerosos. Devemos honrar a criação de Deus desfrutando desses alimentos em quantidades apropriadas. Deus nos chama para controlar nossos apetites, em vez de permitir que eles nos controlem. As Escrituras nos advertem que “o destino deles é a perdição, o seu deus é o estômago e eles têm orgulho do que é vergonhoso; só pensam nas coisas terrenas“ (Filipenses 3:19).
O AMOR ÀS POSSESSÕES: a Bíblia é clara sobre posses materiais. Se elas são uma prioridade mais alta em nossa vida do que Deus, precisamos nos arrepender! Deus nos dá bênçãos para que possamos ser uma bênção para os outros, não para manter um estilo de vida luxuoso que beneficie nossa ganância. Precisamos ser lembrados de que a vida não é sobre o aqui e agora, mas sobre a eternidade. Não podemos levar nossas coisas para o céu, mas podemos usá-las para beneficiar os outros enquanto ainda estamos vivos. Jesus disse: “Pois, que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou, o que o homem poderá dar em troca de sua alma?“ (Mateus 16:26). E, em outra ocasião, Ele nos advertiu: “Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam. Mas acumulem para vocês tesouros nos céus… pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração“ (Mateus 6:19-21).
Ídolos não são apenas feitos de materiais como pedra ou madeira. As pessoas que não conhecem a palavra de Deus também fazem de seres humanos o seu deus, adorando líderes, músicos e artistas. Na Bíblia, vemos onde o povo tentou fazer um ídolo de Herodes, e Deus o feriu com uma morte dolorosa diante deles. Deus mostrou àqueles adoradores quão estúpidos eram, porque “no dia marcado, Herodes, vestindo seus trajes reais, sentou-se em seu trono e fez um discurso ao povo. Eles começaram a gritar: ‘É voz de deus, e não de homem’. Visto que Herodes não glorificou a Deus, imediatamente um anjo do Senhor o feriu; e ele morreu comido por vermes. Entretanto, a palavra de Deus continuava a crescer e a espalhar-se” (Atos 12:21-24).
Nossos corações e mentes devem estar centrados em Deus e ter um coração bondoso para com os outros. É por isso que, quando perguntaram sobre qual é o maior mandamento, Jesus respondeu: “‘Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento’. Este é o primeiro e maior mandamento. E o segundo é semelhante a ele: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’” (Mateus 22:37-39). Quando amamos o Senhor e os outros com tudo o que está em nós, não haverá espaço em nosso coração para a idolatria.
“Por isso, meus amados irmãos, fujam da idolatria.” (1 Coríntios 10:14)
Salete Sartori colunista do Devocional do dia