Flávio Bolsonaro terá encontro estratégico com Trump na Casa Branca para selar aliança

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) prepara um embarque para os Estados Unidos na próxima segunda-feira, em uma movimentação estratégica para conter o desgaste político gerado pela crise envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. O principal objetivo da viagem a Washington é tentar uma agenda com o presidente norte-americano, Donald Trump. Interlocutores da pré-campanha presidencial do parlamentar enxergam o movimento como uma oportunidade de reforçar suas credenciais internacionais junto ao trumpismo e retomar o protagonismo político após dias de forte turbulência interna.

A articulação de bastidores e o papel de aliados

A tentativa de aproximação com a Casa Branca vem sendo costurada por canais diplomáticos e políticos importantes. De acordo com integrantes do comitê de campanha, a agenda está sendo articulada pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, e conta com o suporte direto do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que já se encontra em território americano. Apesar do otimismo dos aliados, o encontro bilateral ainda carece de uma confirmação oficial por parte do governo dos Estados Unidos.

Dentro dos bastidores do PL, a avaliação é de que um registro fotográfico ao lado de Trump teria um peso simbólico crucial neste momento. Aliados do parlamentar acreditam que a imagem ajudaria a reposicionar e blindar a candidatura de Flávio, que passou a enfrentar pressões crescentes dentro da própria legenda após a recente divulgação de mensagens, áudios e registros de encontros com Vorcaro.

Contraponto ao governo e disputa pelo espólio político

Além de gerenciar a crise interna, a viagem possui um claro componente de contraponto à política externa do atual governo brasileiro. A coordenação da campanha de Flávio estuda o movimento como uma resposta direta à viagem realizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aos Estados Unidos há duas semanas, cujo saldo foi classificado como positivo tanto por membros do Executivo brasileiro quanto por interlocutores em Washington.

Ao mesmo tempo, o aceno ao eleitorado conservador visa consolidar a liderança de Flávio no campo bolsonarista. Diante do desgaste recente, setores da direita começaram a debater reservadamente outros nomes para a disputa presidencial deste ano, ventilando alternativas como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD). A agenda com Trump funcionaria, portanto, como uma demonstração de força contra as dissidências.

O caráter estratégico da viagem é endossado publicamente por lideranças do partido no Congresso. O líder da oposição na Câmara, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), reiterou que a ida aos Estados Unidos é vista com grande expectativa pelo partido, classificando o apoio de Donald Trump como um elemento essencial para a consolidação do projeto presidencial do senador Flávio Bolsonaro.

Caso o encontro seja confirmado, a pauta prevista pelos assessores da campanha deve ir além da foto política. Estão listados temas de cooperação bilateral em segurança pública, estratégias de combate ao crime organizado, atração de investimentos voltados para o setor de minerais críticos e debates sobre as tarifas comerciais que impactam diretamente as exportações brasileiras para o mercado norte-americano.

Esta será a quarta viagem oficial do parlamentar aos Estados Unidos desde o lançamento de sua pré-candidatura ao Planalto. O deslocamento mais recente ocorreu no início deste mês, ocasião em que Flávio cumpriu compromissos com empresários locais e esteve reunido com o irmão, Eduardo Bolsonaro.

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