Terremoto sacode supervulcão na Itália, é sentido em toda a região de Nápoles e força fechamento de escolas

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A terra voltou a tremer com força na região da Caldeira de Campi Flegrei, localizada a oeste de Nápoles. Nas primeiras horas da manhã de quinta-feira, um terremoto de magnitude 4,4 assustou a população local, interrompendo o sono dos moradores e provocando o fechamento preventivo de instituições de ensino. O abalo sísmico foi registrado exatamente às 05h50 pelo Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia (INGV), apresentando uma profundidade rasa de apenas três quilômetros, o que tendeu a amplificar a percepção do tremor na superfície.

A força do sismo foi sentida em praticamente toda a região napolitana, com relatos vindos de distritos populosos como Posillipo, Vomero, Bagnoli e Fuorigrotta, além de se estender por municípios situados mais a oeste do epicentro. Habitantes locais compararam a intensidade e a duração do evento ao histórico terremoto de 30 de junho do ano anterior, que atingiu magnitude 4,6 e foi considerado o mais forte em quatro décadas. Especialistas confirmam que o tremor desta quinta-feira já se posiciona entre as maiores atividades sísmicas registradas desde que o processo de instabilidade geológica da região voltou a se intensificar.

Paralisação de serviços e vistorias de segurança

O impacto do terremoto mobilizou rapidamente as autoridades locais após uma onda de relatos vindos de Pozzuoli — o ponto central da caldeira supervulcânica —, bem como de localidades vizinhas como Bacoli, Monte di Procida, Quarto, Giugliano e da própria cidade de Nápoles. Em resposta imediata ao ocorrido, o prefeito de Bacoli decretou a suspensão das aulas em toda a rede municipal para que equipes de engenharia possam realizar vistorias estruturais nos prédios escolares. Essa mesma medida de precaução foi adotada pelas administrações municipais de Pozzuoli e Quarto.

Além do setor educacional, a infraestrutura de transportes também sofreu interrupções temporárias. As operações ferroviárias nas linhas Cumana e Circumflegrea, responsáveis pelo atendimento de passageiros na zona de Flégrea, foram paralisadas aguardando laudos técnicos que garantam a segurança estática das vias. Apesar do forte susto e das mobilizações preventivas, as equipes de resgate e a defesa civil informaram que não houve registros imediatos de vítimas ou de danos materiais graves na região afetada.

O fenômeno do bradisseísmo e o monitoramento vulcânico

Este novo abalo está diretamente associado ao bradisseísmo, um fenômeno geológico caracterizado pelo lento e gradual levantamento ou abaixamento do solo, que afeta a caldeira de Campi Flegrei há bastante tempo. O local abriga um vasto supervulcão situado sob a periferia ocidental de Nápoles e centralizado em Pozzuoli. Nos últimos anos, os tremores decorrentes dessa movimentação subterrânea tornaram-se visivelmente mais frequentes e severos, acumulando diversos episódios que superaram a magnitude 4,0 entre os anos de 2024 e 2025.

Embora a última erupção histórica do vulcão tenha ocorrido no distante ano de 1538, a atividade sísmica na caldeira tem sido uma constante desde a década de 1950, tendo apresentado um pico notável no início dos anos 1980. Atualmente, a zona se consolida como uma das áreas vulcânicas mais vigiadas e monitoradas de toda a Europa. Diante do recente agravamento do cenário geológico em 2024, o governo da Itália tomou medidas drásticas, destinando um montante de 500 milhões de euros para o reforço estrutural de edificações vulneráveis e para a estruturação de planos de emergência focados em uma eventual evacuação em massa da população.

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