“Quem estão tentando proteger?”: Oposição encurrala Alcolumbre e exige CPMI do Banco Master

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A oposição subiu o tom nesta quinta-feira (21/5) durante a sessão conjunta do Congresso Nacional, exigindo a instalação imediata da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o Banco Master. Parlamentares da ala oposicionista argumentam que o requerimento já alcançou o número necessário de assinaturas exigido pela Constituição. Sob forte tom de cobrança, deputados e senadores acusaram a presidência do Legislativo de segurar propositalmente a leitura do pedido, o que impede o início formal dos trabalhos.

O líder da oposição no Congresso, senador Izalci Lucas (PL-DF), destacou que o avanço da comissão depende exclusivamente de um gesto do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP). Segundo Izalci, o quórum de assinaturas está garantido há algum tempo e falta apenas a leitura oficial em plenário para que a instalação ocorra de forma imediata. O senador indicou ainda que a bancada pretende intensificar as cobranças e mencionou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também deve atuar para acelerar a abertura da investigação, com o objetivo de esclarecer o real envolvimento de todos os citados nas denúncias que envolvem a instituição financeira.

Questionamentos sobre a autonomia da Mesa Diretora

A resistência em pautar o requerimento gerou duras críticas baseadas nas regras regimentais e constitucionais. O vice-líder do Novo na Câmara, deputado Luiz Lima (RJ), defendeu que a criação de uma CPMI é um direito automático das minorias e não deveria passar pelo crivo de conveniências políticas da presidência da Casa. O parlamentar recorreu a decisões anteriores do Supremo Tribunal Federal (STF) para sustentar que, uma vez preenchidas as exigências legais, não cabe à Mesa Diretora postergar o processo.

Luiz Lima reforçou que o pedido cumpre rigorosamente os três pilares obrigatórios para a abertura de uma CPI: fato determinado, prazo de duração definido e apoio mínimo do número de parlamentares. O deputado questionou publicamente os motivos do adiamento da leitura, sugerindo que a demora enfraquece o papel de fiscalização do Poder Legislativo e levantando dúvidas sobre uma suposta tentativa de blindagem de envolvidos.

Jurisprudência do STF e o alcance das investigações

O embasamento jurídico também foi o ponto central do pronunciamento do deputado Kim Kataguiri (Missão-SP), que acusou a Mesa Diretora do Congresso de descumprir o entendimento consolidado da Suprema Corte. Kataguiri reiterou que a jurisprudência brasileira é pacífica ao determinar que o preenchimento de um terço das assinaturas vincula a presidência à leitura e à consequente instalação do colegiado, sem margem para decisões discricionárias.

Em sua fala, Kataguiri defendeu que as investigações tenham um caráter amplo e apartidário. O deputado argumentou que a apuração sobre o Banco Master deve mirar todas as frentes necessárias, alcançando tanto as prováveis conexões da instituição financeira com integrantes do atual governo federal quanto as suspeitas que recaem sobre aliados e membros da família do ex-presidente Jair Bolsonaro.

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