Flávio Bolsonaro discursa na terça em audiência decisiva sobre tarifaço dos EUA

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O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), confirmou presença em uma audiência pública que será realizada na próxima terça-feira (7) pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), em Washington. O evento faz parte da investigação da “Seção 301”, que apura políticas e práticas brasileiras associadas ao comércio digital, tarifas preferenciais, leis anticorrupção, propriedade intelectual, desmatamento, acesso ao mercado de etanol e, principalmente, serviços de pagamento eletrônico como o PIX. Atualmente, o governo norte-americano ameaça taxar os produtos brasileiros em 25%.

Buscando se consolidar como o principal interlocutor do presidente Donald Trump no Brasil, Flávio participará de um painel presencial agendado para as 10h (horário local). O parlamentar dividirá a mesa de debates com Roberto Azevedo, representante da Confederação Nacional da Indústria (CNI), além de lideranças dos setores calçadistas de ambos os países. Para garantir sua fala de cinco minutos — tempo padrão do evento —, o senador submeteu formalmente um resumo de suas intenções à autoridade americana e fará seu pronunciamento em inglês.

A estratégia do senador contra as sanções e a defesa do PIX

Em manifestação prévia enviada ao USTR, Flávio Bolsonaro adiantou que focará seus argumentos nos prejuízos econômicos que as sanções trariam para os próprios investidores norte-americanos. O pré-candidato pretende propor a abertura imediata de um mecanismo de negociação bilateral com cronograma bem definido para solucionar os seis eixos da investigação. Além disso, o senador planeja apresentar um compromisso legislativo para garantir que o PIX não será internacionalizado, tentando esvaziar os argumentos que motivam a retaliação de Washington.

A linha de defesa política do parlamentar sustentará que a distância ideológica entre o governo dos EUA e uma eventual gestão reformista de oposição seria consideravelmente menor do que a existente com o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva. Flávio argumentará que a imposição da tarifa de 25% falharia em eliminar as práticas investigadas e produziria o efeito oposto, uma vez que as sanções puniriam exportadores brasileiros e consumidores americanos, blindando politicamente o atual governo brasileiro.

Antes do compromisso internacional, Flávio Bolsonaro cumpre agenda nesta sexta-feira (3) no Rio de Janeiro, onde participa do Seminário Nacional de Comunicação do PL. Ele tinha uma viagem programada para a festa de São João de Campina Grande, na Paraíba, mas o compromisso noturno foi cancelado na manhã de hoje.

Tensões diplomáticas e a presença de aliados investigados pelo STF

Diferente da comitiva de oposição, o governo brasileiro decidiu não participar diretamente dos encontros do USTR, optando por conduzir as tratativas exclusivamente pelas vias diplomáticas formais. O chanceler Mauro Vieira enviou uma resposta oficial aos Estados Unidos argumentando que as críticas americanas ao PIX e às decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) refletem divergências sobre políticas internas, sem qualquer relação legítima com as regras de comércio internacional. Diversos representantes de setores essenciais da economia brasileira, como siderurgia, mineração e agronegócio, também estão inscritos para depor.

A audiência em Washington também contará com a participação do jornalista e economista Paulo Figueiredo, que reside nos Estados Unidos e é neto do ex-presidente João Figueiredo. Investigado pelo STF em inquéritos que apuram coação, obstrução e atos contra o Estado Democrático de Direito, Figueiredo atuou em 2025 ao lado de Eduardo Bolsonaro para tentar convencer a gestão Trump a punir o ministro Alexandre de Moraes por meio da Lei Magnitsky.

A presença de Figueiredo no evento gerou mal-estar recente na oposição após o jornalista declarar publicamente que mulheres votam mal devido ao avanço do feminismo. Flávio Bolsonaro veio a público se distanciar da fala do aliado, refletindo a preocupação do senador com seu desempenho eleitoral entre o eleitorado feminino, grupo no qual enfrenta dificuldades de crescimento segundo pesquisas recentes de intenção de voto.

Apesar de seu histórico de pressões por sanções severas contra o Brasil, o resumo do depoimento enviado por Paulo Figueiredo ao USTR revela uma mudança de postura. Ele também falará por cinco minutos em inglês e de forma presencial, mas agora se posicionará formalmente contra a aplicação da tarifa de 25% sobre os produtos nacionais.

Em sua nova argumentação, Figueiredo alegará que o chamado “tarifaço” não atingiria os verdadeiros responsáveis pelas condutas investigadas, que ele atribui ao governo federal e a integrantes do STF. O jornalista defenderá que a taxação geral apenas beneficiaria o presidente Lula politicamente, dando ao governo munição para alimentar discursos antiamericanos e aproximar o Brasil comercialmente da China. Como alternativa, Figueiredo sugerirá ao órgão americano o uso de sanções personalizadas e cirúrgicas, como a revogação de vistos e o congelamento de ativos de autoridades brasileiras que ele acusa de estarem envolvidas em episódios de censura e corrupção.

Foto: AP

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