Exército repassa seis armas de Bolsonaro para a PF e relata ausência de outras duas
O Exército Brasileiro informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que realizou a transferência de seis das oito armas do ex-presidente Jair Bolsonaro que estavam sob a custódia da instituição para a Polícia Federal (PF). O envio do armamento atende a uma determinação expressa do ministro Alexandre de Moraes, que estipulou um prazo de 48 horas para que os itens fossem encaminhados à Superintendência da corporação no Distrito Federal. A medida judicial foi motivada pela manutenção da prisão domiciliar de Bolsonaro e pela recente apreensão de uma arma com um integrante do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
Apesar do cumprimento parcial da ordem, o Batalhão de Polícia do Exército de Brasília relatou formalmente ao STF que dois dos itens listados pelo magistrado não foram localizados na unidade militar. De acordo com o relatório, os materiais ausentes correspondem a uma pistola Glock de calibre 9mm e a uma espingarda de calibre 12, as quais a corporação alega que nunca estiveram sob sua guarda. Os demais itens solicitados foram devidamente catalogados e despachados juntamente com as respectivas documentações.
Defesa justifica paradeiro das armas não localizadas
As investigações apontam que uma das armas não encontradas pelo Exército possui a mesma numeração de registro da pistola que foi apreendida recentemente com o servidor do GSI. Em relação ao segundo item pendente, uma espingarda da marca Maestro Arms Company, os advogados de Jair Bolsonaro alegam que a peça foi um presente recebido pelo ex-presidente. Contudo, a defesa sustenta que o armamento jamais foi retirado da sede da importadora Maragato BR Importações de Artigos Bélicos, sediada em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul.
Diante dessa situação, a equipe jurídica do ex-mandatário protocolou um pedido junto ao STF para que o tribunal envie um ofício diretamente à empresa gaúcha. O objetivo é que a importadora confirme que mantém a custódia da espingarda e realize a entrega imediata do material às autoridades policiais, isentando a defesa e o Exército do sumiço temporário do item.
Detalhes do arsenal e andamento das investigações
O processo judicial em curso faz referência a um arsenal total de dez armas vinculadas a Bolsonaro. Além do lote de oito peças remetido ao Exército, a defesa argumenta que as duas armas restantes — compostas por um fuzil e uma pistola da fabricante Caracal — já haviam sido entregues voluntariamente à Polícia Federal em abril de 2023. Para esclarecer a situação e evitar duplicidades, o ministro Alexandre de Moraes emitiu uma nova ordem para que a PF certifique a posse e a localização exata desses dois itens remanescentes.
Dentre o material efetivamente entregue pelo Exército à Superintendência da PF no Distrito Federal constam armamentos de diversos calibres e fabricantes. O lote recebido pelos agentes federais inclui duas pistolas Taurus de calibres .380 e .40, um fuzil Springfield Armory calibre 7,62mm, além de uma espingarda Typhoon calibre 12 e duas pistolas de calibre 9mm, sendo uma da marca Arex e outra da fabricante SIG-Saue.r