Coreia do Norte mostra Kim Jong-un saudável em fotos e desafia a onda de boatos sobre sua morte
O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, apareceu com aparência saudável em fotografias publicadas pelo jornal estatal Rodong Sinmun, nas quais visita uma exposição de roupas e calçados ao lado de sua filha, Kim Ju-ae. As imagens foram divulgadas horas depois que o dissidente chinês Wanjun Xie afirmou, sem apresentar provas, que o dirigente de 42 anos teria sofrido uma hemorragia cerebral, entrado em coma e morrido em um hospital de Pequim, com o regime norte-coreano supostamente encobrindo o óbito. Para quem acompanha os acontecimentos no país mais fechado do mundo, especulações sobre a saúde do líder tornaram-se rotineiras devido à extrema dificuldade de verificação de fatos.
A teoria de Xie carece de qualquer evidência física ou geopolítica que a sustente. Autoridades de inteligência da Coreia do Sul informaram à agência Yonhap que não registraram nenhum indício que corroborasse a história. Além disso, um colapso repentino na saúde do líder norte-coreano provocaria reações visíveis nas fronteiras, como o reforço de segurança pela China, o aumento da atividade diplomática ou movimentações de desertores ao longo da fronteira chinesa, cenários que não se concretizaram. O episódio ecoa alarmes falsos anteriores, como o ocorrido em 2020, quando um desertor afirmou ter quase certeza de que Kim havia morrido após uma cirurgia, antes de o líder reaparecer publicamente.
O mistério da sucessão e a fragilidade do regime
A persistência de boatos sobre a saúde de Kim Jong-un está profundamente ligada às incertezas em torno da sucessão dinástica no país. Ao contrário das transições anteriores, nas quais os sucessores foram preparados por décadas — como ocorreu de Kim Il-sung para Kim Jong-il —, a ascensão de Kim Jong-un foi rápida e impulsionada por um AVC de seu pai em 2008. Embora ele tenha passado anos consolidando o poder e eliminando opositores, o futuro do regime permanece nebuloso, visto que sua filha Kim Ju-ae, apontada por analistas como possível sucessora por sua forte presença em eventos militares, tem apenas 13 anos e jamais foi indicada formalmente como herdeira em um país sem histórico de liderança feminina.
Outro fator que alimenta as especulações é o estilo de vida do ditador, caracterizado pelo excesso de peso e pelo tabagismo inveterado, além do histórico familiar de problemas cardiovasculares. O Serviço Nacional de Inteligência sul-coreano já havia alertado sobre os riscos de saúde do líder. Uma eventual crise de liderança em Pyongyang acenderia alertas vermelhos para Seul, Pequim e Washington devido ao controle do arsenal nuclear e aos riscos de instabilidade geopolítica e crises de refugiados.
A Coreia do Norte como um “buraco negro” de informações
A opacidade do regime norte-coreano transforma o país em um terreno fértil para notícias falsas e boatos infundados. Apenas um círculo minúsculo tem acesso regular ao líder, e as próprias agências de inteligência enfrentam barreiras severas para obter dados confiáveis, operando frequentemente com informações não verificadas. A suspeita de que o próprio governo norte-coreano incentive a desinformação para encobrir a realidade interna complica ainda mais o cenário. Diante desse contexto, analistas avaliam que alegações como a de Wanjun Xie servem muito mais para buscar atenção na mídia ou gerar constrangimento político do que para refletir fatos reais da política de Pyongyang.