Donald Trump afirma que democratas farão os Estados Unidos queimar como a França
Em meio a uma disputa acirrada no Kansas, estado tradicionalmente conservador, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou os recentes e violentos distúrbios na França como peça central de seu discurso para atacar a oposição democrata. Durante um comício realizado na segunda-feira em apoio à reeleição do senador republicano Roger Marshall, Trump sugeriu, sem apresentar qualquer evidência, que o cenário de caos social visto na Europa poderia se repetir em solo americano caso os democratas vençam as próximas eleições.
A declaração faz referência à onda de protestos de grandes proporções que tomou conta da França recentemente, impulsionada pela insatisfação popular com o alto custo de vida e o sucateamento dos serviços públicos, episódios que culminaram em saques e confrontos urbanos. Diante do público no Kansas, Trump resgatou a retórica anti-imigrante e discriminatória que marcou suas campanhas presidenciais anteriores para alertar os eleitores sobre o suposto risco enfrentado pelo país, associando a oposição ao que chamou de destruição das tradições americanas e atacando publicamente seus adversários com apelidos pejorativos.
Pressão sobre baluartes conservadores
A presença do presidente no Kansas reflete a crescente vulnerabilidade do Partido Republicano em redutos onde antes mantinha controle absoluto. Embora o estado do Meio-Oeste não eleja um democrata para o Senado dos Estados Unidos há quase um século e tenha garantido a Trump uma vitória por ampla margem nas eleições de 2024, a insatisfação dos eleitores com o cenário econômico atual e com a condução da política externa alterou o panorama local.
O senador Roger Marshall enfrenta uma concorrência surpreendentemente forte do candidato democrata Adam Hamilton, pastor de uma megaigreja metodista local. Hamilton tem construído sua plataforma em oposição direta às políticas tarifárias de Trump e ao estilo de liderança do presidente, o que levou o republicano a intensificar os ataques pessoais contra o rival religioso durante o comício.
Crise de aprovação e disputa no Congresso
O comício faz parte de uma intensa maratona de campanha de 32 dias empreendida por Trump, focada sobretudo em regiões onde o presidente registrou expressiva votação no passado. O esforço para mobilizar a base aliada coincide com o pior momento da sua avaliação popular: a pesquisa mais recente do instituto Reuters-Ipsos aponta que a aprovação do desempenho do presidente caiu para 31%, atingindo o patamar mais baixo do seu mandato.
O desgaste na imagem da gestão republicana amplia a relevância de disputas regionais como a do Kansas para o equilíbrio de poder no Congresso americano. Com maiorias apertadas no Legislativo — 218 a 214 na Câmara dos Representantes e 53 a 47 no Senado —, o Partido Republicano corre o risco de perder o controle de ambas as Casas caso os democratas obtenham um ganho líquido de apenas quatro cadeiras em cada uma delas nas urnas.