Com apoio de Milei, Flávio Bolsonaro dispara contra o STF e promete “libertar” o Brasil nas urnas em convenção do PL
O Partido Liberal (PL) formalizou, neste sábado (25), em São Paulo, a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Em seu discurso de estreia como postulante ao cargo, o parlamentar comprometeu-se a dar continuidade ao legado de seu pai, Jair Bolsonaro, ao mesmo tempo em que teceu críticas contundentes à gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Flávio descreveu o país como uma nação “sequestrada” e prometeu atuar para libertá-la de um suposto “cativeiro”. Além de pleitear a cadeira presidencial, ele defendeu um endurecimento das políticas penais e manifestou a expectativa de receber a faixa presidencial das mãos do pai em janeiro de 2027.
Estratégia, críticas ao judiciário e propostas de governo
A convenção, que reuniu diversos nomes da direita brasileira, marcou a primeira investida de Flávio na corrida pelo Palácio do Planalto. Em uma fala que durou cerca de 15 minutos, o senador qualificou o ex-presidente Jair Bolsonaro como “o maior líder da direita que esse país já teve”. O candidato argumentou que o ex-presidente enfrentou três tentativas de “eliminação”: o atentado a faca em 2018, a prisão e o isolamento imposto pelo Poder Judiciário. O STF, em especial o ministro Alexandre de Moraes, foi alvo recorrente de ataques, com acusações de perseguição política e cerceamento da liberdade de expressão. Flávio alertou que uma eventual reeleição de Lula permitiria a indicação de mais quatro ministros à Corte, o que, segundo ele, colocaria em risco a liberdade de imprensa e o exercício do mandato parlamentar.
No campo das propostas, o senador defendeu a redução da carga tributária, o fortalecimento de uma base de centro-direita no Congresso e medidas rígidas na segurança pública, incluindo a responsabilização penal de adolescentes autores de crimes graves, o aumento de penas para agressores de mulheres e a implementação de castração química para condenados por estupro de crianças. Ao encerrar sua fala, o candidato dirigiu-se ao pai com tom de emoção: “Pai, eu vou te honrar. E você vai colocar essa faixa de presidente em mim em janeiro do ano que vem.”
A presença da família e o apoio de aliados
O evento contou com uma participação virtual de Jair Bolsonaro, por meio de um vídeo produzido com inteligência artificial, dado que o ex-presidente cumpre prisão domiciliar. Na gravação, o ex-mandatário afirmou: “Estou preso e calado por uma decisão arbitrária. Nenhuma prisão vai calar o sentimento de esperança que despertamos.” Ele pediu que os apoiadores recebessem o filho “de braços abertos”.
Outros membros da família também marcaram presença: Eduardo Bolsonaro, direto dos Estados Unidos, pediu união ao afirmar: “Vamos vencer essa eleição, soltar Bolsonaro e anistiar os presos de 8 de janeiro. Não há mais tempo para ego, projeto pessoal. É Flávio Bolsonaro eleito.” Carlos Bolsonaro também enviou uma mensagem reafirmando sua confiança no irmão.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro participou via vídeo, em um gesto que sinaliza a superação de um recente distanciamento entre ela e o enteado. Sem comentar o episódio, Michelle justificou sua ausência física pela necessidade de cuidar de Jair Bolsonaro e destacou que a ausência do ex-presidente representa milhões de brasileiros. Em sua fala, ela citou o senador apenas uma vez: “Flávio, que Deus abençoe e proteja sua candidatura.” Por sua vez, Fernanda Bolsonaro, esposa do candidato, teve sua participação ampliada no palco. Em um discurso focado na imagem familiar, a cirurgiã-dentista afirmou: “Meu amor, eu vou sempre estar ao seu lado. Eu e nossas filhas temos muito orgulho da coragem de você seguir nessa missão e do homem de Deus que você se tornou.”
Discurso de Javier Milei e a pauta da liberdade
O presidente da Argentina, Javier Milei, foi o convidado de honra e utilizou seu tempo de fala para atacar o socialismo e defender a liberdade econômica. Ao declarar apoio a Flávio, Milei afirmou que o senador é “a pessoa que hoje pode parar Lula” e que a disputa brasileira terá consequências por décadas. O presidente argentino atribuiu a crise de seu país a governos socialistas e criticou a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, classificando-a como uma injustiça de “caráter vingativo”. Encerrando sua fala, Milei declarou: “Viva la libertad, carajo.”
Quanto à composição da chapa, o PL ainda não definiu quem será o vice de Flávio Bolsonaro. O partido mantém negociações com legendas como o Republicanos, PP e União Brasil, mas a definição oficial deve ocorrer apenas até o prazo limite de 15 de agosto.