Zema sobe o tom contra o STF e fala em “podridão” na Corte: “Não vou me intimidar”

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O pré-candidato à Presidência e ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), anunciou que sua prioridade máxima de governo, caso eleito, será a reestruturação profunda do Supremo Tribunal Federal (STF). O projeto, batizado por ele como “novo Supremo”, visa alterar drasticamente as regras de ingresso e permanência na Corte. Entre as mudanças sugeridas, Zema propõe elevar a idade mínima para nomeação de 35 para 60 anos e instituir um mandato fixo de, no máximo, 15 anos. Atualmente, os ministros possuem cargos vitalícios com aposentadoria compulsória aos 75 anos.

Além das mudanças estruturais, a proposta de Zema foca na conduta ética e nos vínculos de parentesco dentro do tribunal. O ex-governador defende que familiares de magistrados sejam impedidos de manter negócios jurídicos, uma medida que surge como resposta direta a recentes controvérsias envolvendo membros da Corte. O pré-candidato citou especificamente situações envolvendo os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, argumentando que a posição no STF deve ser a “coroação de uma carreira irretocável” e o ponto de partida para uma modernização ampla do Judiciário brasileiro.

Escalada de tensões e críticas diretas

O tom das declarações de Zema subiu de tom durante eventos recentes, como o discurso na Associação Comercial de São Paulo, onde ele utilizou termos fortes como “podridão” e “intocáveis” ao se referir à atual composição do tribunal. O político chegou a declarar que alguns ministros não deveriam enfrentar apenas processos de impeachment, mas também a prisão. Segundo ele, a confiança na instituição foi desgastada ao longo dos anos, resultando em um cenário de descrédito institucional que sua candidatura promete combater.

As críticas não ficaram sem resposta por parte da cúpula do Judiciário. O ministro Gilmar Mendes, decano da Corte, classificou o posicionamento de Zema como “irônico” e apontou uma “contradição latente”. Mendes recordou que, durante sua gestão como governador, Zema recorreu diversas vezes ao STF para garantir o equilíbrio fiscal de Minas Gerais, obtendo decisões favoráveis que permitiram o adiamento do pagamento de dívidas com a União. Para o ministro, o grupo político de Zema aciona o tribunal quando precisa de socorro financeiro, mas passa a atacá-lo quando as decisões contrariam seus interesses ideológicos.

Em resposta às declarações de Gilmar Mendes, Romeu Zema utilizou suas redes sociais para reafirmar que não se deixará intimidar. O ex-governador rebateu o argumento técnico do ministro, sugerindo que as falas de Mendes revelam uma mentalidade de “troca de favores” em vez de um embasamento estritamente jurídico. Zema encerrou o embate afirmando que as decisões favoráveis ao estado de Minas Gerais deveriam ter sido baseadas na lei, e não interpretadas como um benefício político que silenciaria críticas futuras.

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