Zambelli no Brasil: corte italiana esgota argumentos e confirma extradição da ex-deputada

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A Justiça da Itália proferiu uma decisão significativa nesta quinta-feira (16), ao aceitar o pedido das autoridades brasileiras para a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli. O parecer favorável do tribunal italiano refere-se especificamente à condenação da ex-parlamentar pelo crime de porte ilegal de arma de fogo. A confirmação da sentença veio através do embaixador do Brasil em Roma, Renato Mosca de Souza, que ressaltou, no entanto, que a decisão ainda permite a interposição de recursos pela defesa.

O fundamento para esta condenação remete aos eventos ocorridos na véspera do segundo turno das eleições de 2022. Na ocasião, Zambelli foi filmada perseguindo um homem com uma pistola em punho pelas ruas do bairro Jardins, na capital paulista, após um desentendimento motivado por questões políticas. A repercussão das imagens resultou em uma investigação no Supremo Tribunal Federal (STF), que culminou em uma pena de 5 anos e 3 meses de reclusão pelos crimes de porte ilegal de arma e constrangimento ilegal.

Reação da defesa e questionamentos processuais

O representante legal de Zambelli na Itália, o advogado Pieremílio Sammarco, manifestou surpresa com o veredito. Segundo Sammarco, havia uma expectativa de que os processos fossem julgados de forma unificada, e a separação dos casos não teria sido devidamente comunicada à defesa. Diante do novo cenário, o advogado anunciou que pretende recorrer de imediato ao Supremo Tribunal de Cassação da Itália para tentar barrar o envio da ex-deputada ao Brasil.

Além da questão armamentista, Carla Zambelli enfrenta um segundo processo de extradição já autorizado anteriormente pela Justiça italiana. Este caso envolve a invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), crime pelo qual ela foi condenada a 10 anos de prisão. As investigações do STF apontaram que a ex-parlamentar teria colaborado com o hacker Walter Delgatti Neto para inserir documentos fraudulentos no banco de dados do conselho, incluindo uma ordem de prisão falsa contra o ministro Alexandre de Moraes.

Situação prisional e trâmites internacionais

Atualmente, Zambelli encontra-se detida em uma unidade prisional nos arredores de Roma, onde cumpre regime de segurança desde julho de 2025 devido ao risco de nova fuga apontado pelas autoridades europeias. Como possui cidadania italiana e deixou o Brasil em maio de 2023 por rotas alternativas, ela é formalmente considerada foragida pela Justiça brasileira. Embora o Judiciário italiano esteja validando os pedidos, a palavra final sobre a extradição dependerá de uma análise política e administrativa do Ministério da Justiça da Itália, com base no tratado de cooperação mútua firmado entre as duas nações em 1993.

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