Vitória de Flávio completaria a última peça do xadrez de Trump na América Latina, diz jornal americano
A sequência de vitórias conservadoras na América Latina permitiu que o governo de Donald Trump ampliasse significativamente a influência geopolítica de Washington na
região. De acordo com uma análise recente do jornal The New York Times, o Brasil representava a última grande peça que faltava nesse tabuleiro de aliados, cenário que pode se consolidar dependendo do desfecho eleitoral no país. Atualmente, governos de esquerda na região restringem-se basicamente ao México e ao Uruguai.
A Doutrina Monroe em uma versão mais agressiva
Para o diário americano, a ofensiva atual reflete uma reedição mais enérgica da histórica Doutrina Monroe, datada de 1823. A publicação aponta que Washington tem recorrido a medidas duras para exercer maior controle na América Latina, o que inclui imposição de tarifas, sanções econômicas, ataques aéreos, revogação de vistos, pressões eleitorais, bloqueios de combustíveis a Cuba e a prisão do ex-venezuelano Nicolás Maduro em território norte-americano.
No âmbito interno brasileiro, o jornal destaca que o eleitorado já conferiu ampla representatividade à direita ao eleger maioria no Congresso e diversos governos estaduais, incluindo novos membros da família Bolsonaro em cargos federais.
Segurança, cartéis e alinhamento militar
A convergência entre a agenda de Washington e o fortalecimento conservador regional tem gerado uma transformação profunda, sobretudo nos pilares de segurança e combate ao narcotráfico. A Casa Branca equiparou a luta contra os cartéis latino-americanos às campanhas antiterrorismo conduzidas no Oriente Médio, adotando medidas como a classificação oficial de facções criminosas como organizações terroristas e a realização de bombardeios contra embarcações suspeitas em águas da região — práticas que geram debates sobre legalidade entre especialistas.
Como desdobramento dessa nova postura, dezoito países já integraram uma coalizão liderada pelos Estados Unidos. Nações como Colômbia, Guatemala, Honduras e Equador aceitaram realizar operações militares conjuntas com o Pentágono, modelo de cooperação que a administração norte-americana pretende expandir para outros governos aliados.
Desafios e impactos sobre a soberania regional
A guinada política sinalizada por lideranças locais, que demonstram afinidade com a coalizão voltada à segurança regional e ao endurecimento contra o crime organizado, inaugura um momento inédito na diplomacia do continente. O jornal observa que, embora parcerias antidrogas anteriores tenham existido, o atual nível de convergência ideológica e a abertura para intervenções militares diretas dos Estados Unidos criam um cenário excepcional.
Apesar da forte articulação entre os governos, analistas ponderam sobre a eficácia real dessas coalizões no combate aos cartéis e alertam para os riscos à soberania dos países latino-americanos, dado o desproporcional desequilíbrio de poder político, econômico e militar em relação a Washington.