Hezbollah lança ataque de drone contra o norte de Israel e deixa civis feridos; aviões das IDF bombardeiam alvos no Líbano
A região de Rosh Hanikra foi palco de um novo episódio de violência nesta quinta-feira, quando um ataque de drones lançado pelo Hezbollah atingiu um estacionamento próximo à fronteira. O incidente deixou quatro civis israelenses feridos, sendo um deles em estado crítico. De acordo com informações militares, o sistema de defesa não detectou o artefato a tempo, o que impediu o acionamento das sirenes de alerta na localidade.
O Centro Médico da Galileia, em Nahariya, prestou o atendimento inicial às vítimas. Enquanto dois pacientes apresentaram ferimentos leves e receberam alta rapidamente, a situação dos demais exigiu cuidados intensivos. O hospital atualizou o boletim médico no final do dia, classificando o estado de uma das vítimas como crítico e a outra como moderado, evidenciando a gravidade da investida aérea.
Resposta militar e violação de acordo
As Forças de Defesa de Israel (IDF) classificaram o ataque como uma violação direta aos acordos de cessar-fogo vigentes. Além do drone que causou os ferimentos, o exército relatou que o Hezbollah disparou projéteis de morteiros e mísseis antitanque contra tropas posicionadas no sul do Líbano. Embora outros drones tenham sido interceptados com sucesso, a movimentação intensificou o clima de hostilidade na zona de conflito.
Em represália, a aviação israelense lançou uma onda de bombardeios contra infraestruturas ligadas ao grupo terrorista. Antes das operações, o comando militar emitiu ordens de evacuação imediata para residentes de oito aldeias libanesas, incluindo Libbaya e Sohmor, instruindo a população a se afastar ao menos um quilômetro das áreas visadas para evitar baixas civis durante a ofensiva.
A estratégia israelense de estabelecer uma “zona de segurança” no sul do Líbano tem gerado consequências severas na infraestrutura da região. O plano envolve a demolição sistemática de edificações próximas à fronteira para impedir o ressurgimento de bases do Hezbollah. Segundo dados do Conselho Nacional de Pesquisa Científica do Líbano, mais de 10 mil unidades habitacionais já foram destruídas ou severamente danificadas desde o início do cessar-fogo formal no mês passado.
Diplomacia em Washington sob pressão
Apesar do aumento das hostilidades no terreno, uma terceira rodada de negociações de alto nível está programada para ocorrer em Washington. O encontro marca um momento histórico, com a ampliação das delegações que agora incluem o enviado especial da presidência libanesa e o vice-conselheiro de Segurança Nacional de Israel. O objetivo central é discutir o desarmamento gradual do Hezbollah e a possibilidade de uma paz duradoura entre as duas nações.
O embaixador israelense nos EUA, Yechiel Leiter, reforçou que a segurança de Israel depende de ações concretas e não apenas de promessas diplomáticas. Segundo Leiter, o governo israelense está disposto a discutir um acordo de paz abrangente — incluindo abertura de fronteiras e turismo — desde que o desmantelamento das capacidades militares do Hezbollah seja efetivado no sul do Líbano sob a supervisão do Exército Libanês.
A questão do Líbano também foi vinculada às discussões estratégicas envolvendo o Irã e o governo dos Estados Unidos. Durante diálogos recentes com a administração de Donald Trump, representantes de Israel e do Líbano enfatizaram que qualquer futuro acordo com Teerã deve obrigatoriamente incluir a cessação do apoio financeiro e bélico a grupos armados regionais. Para os negociadores, sem o corte desse suporte externo, a estabilidade do Estado libanês e a segurança da fronteira israelense permanecem em risco constante.