Trump rejeita acordo de paz do Irã e Brent dispara acima de US$ 105 com ameaça no Estreito de Ormuz
O cenário diplomático entre Washington e Teerã atingiu um novo patamar de rigidez nesta segunda-feira. Após um final de semana marcado por confrontos diretos, ambos os governos classificaram as propostas de paz mútuas como impraticáveis. O impasse não apenas reacende o temor de um conflito aberto, mas também projeta sombras sobre a economia global, dada a instabilidade no Estreito de Ormuz, justamente no momento em que o presidente Donald Trump inicia uma visita oficial à China.
O mercado financeiro reagiu imediatamente à volatilidade geopolítica. O petróleo do tipo Brent ultrapassou a marca de 104 dólares por barril nas primeiras horas do dia. Enquanto o governo iraniano defende que suas últimas condições eram generosas e equilibradas, Trump utilizou suas redes sociais para descartar o plano, rotulando-o como totalmente inaceitável e demonstrando insatisfação com a postura dos negociadores de Teerã.
Acusações de exigências unilaterais e bloqueio econômico
Em resposta às críticas americanas, o Ministério das Relações Exteriores do Irã, por meio do porta-voz Esmail Baghaei, acusou os Estados Unidos de manterem uma visão unilateral e imporem demandas excessivas. Segundo Baghaei, a proposta de Teerã visava não apenas o interesse nacional, mas a estabilidade regional. O plano iraniano exigia a interrupção do bloqueio naval aos seus portos — o qual chamam de pirataria marítima — e o desbloqueio de ativos financeiros retidos em bancos estrangeiros por influência de Washington.
Além das questões financeiras, o Irã condiciona a paz à garantia de passagem segura pelo Estreito de Ormuz e à segurança em áreas de conflito adjacentes, como o Líbano. O país busca garantias de que a navegação e a soberania regional sejam respeitadas, enquanto Israel mantém operações militares contra o Hezbollah, complicando ainda mais o tabuleiro diplomático após a derrocada do “Projeto Liberdade”, que previa escoltas militares para navios mercantes.
O impasse nuclear e o risco de confronto militar
Apesar dos recentes episódios de trocas de tiros entre destróieres americanos e forças iranianas, o governo dos EUA sustenta que o cessar-fogo técnico ainda não foi formalmente rompido. No entanto, o tom adotado pelas lideranças sugere o contrário. Em declarações recentes, tanto Donald Trump quanto o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmaram categoricamente que o conflito está longe do fim. Netanyahu foi enfático ao alertar que a retomada das ações militares é uma possibilidade real caso não haja avanço na remoção do material nuclear iraniano.
O ponto central de discórdia permanece sendo o estoque de urânio enriquecido do Irã. Washington e Israel exigem a retirada total desse material do território iraniano, enquanto Teerã, embora negue intenções bélicas, acelerou o enriquecimento após o colapso de acordos anteriores. Analistas de inteligência e especialistas em energia apontam que, apesar da pressão econômica e do bloqueio naval mantido pelos EUA, o regime iraniano possui resiliência suficiente para sustentar o isolamento por vários meses, o que prolonga a incerteza sobre uma resolução diplomática a curto prazo.