Trump desafia ameaças de morte do Irã e diz ser o alvo principal de Teerã

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Durante o encerramento de sua participação na cúpula da OTAN em Ancara, o presidente Donald Trump declarou publicamente que continua sendo o principal alvo de planos de assassinato orquestrados pelo Irã. A afirmação ocorre em um momento crítico, com o acordo de cessar-fogo entre Washington e Teerã completamente colapsado e os preços globais do petróleo em forte escalada. Diante dos jornalistas, Trump relembrou as operações militares conjuntas entre os Estados Unidos e Israel que resultaram na eliminação de grande parte da alta cúpula iraniana nos primeiros meses do conflito iniciado há cinco meses. O presidente refletiu sobre a possibilidade de sofrer o mesmo destino, rotulando os líderes iranianos como “escória” e justificando os riscos como parte de seu dever pelo país.

O discurso presidencial oscilou entre ofensas e análises sobre o comportamento do atual comando de Teerã. Momentos após classificar os líderes iranianos como “loucos” e “desvairados”, Trump elogiou a equipe diplomática do país persa com quem sua gestão havia negociado o acordo agora rompido. Ele sugeriu que a atual “terceira linha” de comando do Irã demonstrava maior racionalidade que os líderes mortos anteriormente, mas voltou atrás logo em seguida. O presidente apontou que as recentes ações iranianas no Estreito de Ormuz, incluindo ataques a embarcações que motivaram novas retaliações aéreas americanas, contradizem qualquer postura racional e aumentam o risco de uma nova escalada na guerra.

O histórico da vingança de Teerã

A animosidade e as ameaças de morte contra Trump e ex-membros de seu primeiro mandato remontam ao final de 2019, quando o presidente ordenou a execução do general Qassem Soleimani, chefe da Guarda Revolucionária Islâmica, por meio de um ataque de drone. Desde então, o monitoramento de inteligência tem sido constante. Durante a campanha de 2024, as restrições de segurança foram severas, forçando Trump a utilizar o jato particular de seu aliado Steve Witkoff em vez do tradicional avião presidencial, devido ao temor do Serviço Secreto de que agentes iranianos em solo americano tivessem acesso a mísseis terra-ar.

Apesar do perigo generalizado, a rede de proteção em torno de figuras-chave do governo anterior sofreu alterações políticas. Ex-conselheiros como John Bolton e Mike Pompeo passaram anos sob vigilância rigorosa devido ao envolvimento no caso Soleimani. Contudo, após retornar ao poder, Trump revogou a proteção estatal de ambos devido às críticas públicas que os dois ex-assessores fizeram à sua conduta política. Enquanto isso, as ameaças jurídicas reais continuam avançando, como a recente condenação em Nova York de Asif Merchant, cidadão recrutado pela Guarda Revolucionária para tramar o assassinato de Trump em território americano.

Um histórico recente de atentados

O cenário de risco em torno do presidente é reforçado por um histórico recente de tentativas de homicídio. Além do conhecido ataque em Butler, na Pensilvânia, onde um disparo de rifle passou a centímetros do presidente, e do incidente no clube de golfe em West Palm Beach, que resultou na prisão perpétua de Ryan Routh, novas ameaças foram registradas. Trump também enfrentou uma tentativa frustrada de atentado durante o Jantar dos Correspondentes da Casa Branca em abril passado.

Ao ser questionado pela imprensa sobre o motivo de abordar abertamente a possibilidade de sua própria morte, Trump minimizou os temores pessoais. O presidente definiu o cargo que ocupa como uma atividade de alto risco, mas garantiu que o perigo não altera sua agenda de governo. Ele concluiu afirmando que o bem-estar econômico e o sucesso atual dos Estados Unidos superam os riscos individuais à sua integridade física.

Foto: AP

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