Trump autoriza ofensiva cibernética dos EUA que pode atingir PCC e CV
O governo dos Estados Unidos deu um novo passo no combate ao cibercrime internacional ao assinar um memorando que permite a participação de empresas privadas em operações digitais contra facções transnacionais. A medida abre margem para atingir grupos com atuação fora do território norte-americano, o que inclui organizações que operam em solo brasileiro, como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho.
Com a nova diretriz, companhias previamente selecionadas e credenciadas poderão monitorar, interromper ou até neutralizar redes e sistemas operados por redes criminosas. Todas as etapas dependem de autorização prévia e ocorrerão sob estrita supervisão governamental.
Alcance da medida e enquadramento de facções brasileiras
A Casa Branca justifica a iniciativa como uma estratégia para conter fraudes financeiras e investidas cibernéticas frequentes contra cidadãos e companhias americanas. O documento oficial destaca que o país pretende mobilizar todos os recursos nacionais disponíveis, unindo a inovação do setor privado às forças de segurança pública.
Embora o texto do memorando não mencione explicitamente as facções atuantes em solo brasileiro, ambos os grupos já figuram nas classificações americanas como organizações criminosas transnacionais e grupos terroristas estrangeiros. Para se tornarem alvos diretos das ações, as entidades precisam atender aos critérios específicos de envolvimento em crimes no ambiente virtual.
Regras rigorosas e supervisão governamental
A condução do programa ficará a cargo do Centro Nacional de Coordenação, operando em conjunto com os departamentos de Justiça e de Segurança Interna. As regras definitivas de operação devem ser fixadas no prazo de 60 dias, estabelecendo critérios como capacidade técnica, histórico operacional e rigor na segurança interna e checagem de funcionários.
As empresas privadas interessadas em participar também deverão prestar uma garantia financeira mínima de US$ 1 milhão, valor sujeito a confisco em caso de descumprimento dos contratos. O modelo operacional contempla tanto a coleta de dados para inteligência quanto ações diretas de interrupção ou destruição de infraestruturas digitais.
Limites operacionais e salvaguardas no espaço digital
Apesar de ampliar o escopo de atuação do setor privado, a norma impõe limites claros. Fica proibida qualquer ação com potencial de causar mortes, ferimentos graves ou que possa ser interpretada como ataque armado segundo as normas do direito internacional.
Além disso, o programa exige a interrupção imediata das atividades caso uma operação atinja acidentalmente cidadãos americanos ou sistemas baseados nos Estados Unidos. O objetivo central é canalizar a alta capacidade tecnológica das empresas para desarticular esquemas criminosos que historicamente exploravam brechas no ecossistema digital.