Surto do Hantavirus em navio avança pelo mundo e infecta paciente em novo país na América do Norte 

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As autoridades de saúde da província da Colúmbia Britânica, no Canadá, confirmaram o primeiro caso de hantavírus na América do Norte associado ao surto a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius. O paciente, um idoso na faixa dos 70 anos e morador do território do Yukon, faz parte de um grupo de quatro canadenses que cumpriam isolamento desde que desembarcaram da embarcação no início do mês. Ele testou positivo para a cepa Andes do vírus, uma variante conhecida por registrar episódios raros de transmissão de pessoa para pessoa.

De acordo com a diretora provincial de saúde, Dra. Bonnie Henry, o homem retornou ao Canadá no dia 10 de maio e começou a manifestar sintomas leves, como febre e dor de cabeça, alguns dias depois. O diagnóstico inicial foi realizado localmente e, na sequência, confirmado pelo Laboratório Nacional de Microbiologia, em Winnipeg. Atualmente, o paciente encontra-se internado em isolamento hospitalar, apresentando quadro estável e recebendo monitoramento constante da equipe médica.

Monitoramento dos passageiros e protocolos de segurança

A situação dos demais passageiros canadenses que estavam na embarcação segue sob estrita vigilância. O cônjuge do paciente confirmado também manifestou sintomas leves, mas o teste resultou negativo para a doença. Outro viajante, também na casa dos 70 anos, foi hospitalizado preventivamente para avaliação médica, enquanto uma quarta pessoa, na faixa dos 50 anos e residente no exterior, cumpre isolamento em uma residência.

Para garantir a contenção do vírus, as autoridades de saúde locais adotaram protocolos rigorosos desde a chegada do grupo à Colúmbia Britânica. Os pacientes que necessitaram de internação foram alocados em quartos de pressão negativa, uma medida padrão para evitar a propagação aérea de patógenos. A médica Reka Gustafson, da Autoridade de Saúde da Ilha, reforçou que a rede hospitalar está totalmente preparada e que não há risco de exposição para o público geral, uma vez que os profissionais de saúde estão utilizando Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) adequados e seguindo diretrizes rígidas.

Panorama global do surto e investigações científicas

Com essa nova confirmação, o total de infecções globais vinculadas ao cruzeiro subiu para 12 casos, incluindo três mortes. Investigações epidemiológicas internacionais apontam que o surto teve origem após um casal de holandeses contrair o vírus durante uma atividade de observação de aves na Argentina. Embora a cepa andina do hantavírus seja primariamente transmitida pelo contato com excrementos de roedores silvestres, o potencial de contágio interhumano desta variante mantém os órgãos de saúde em alerta.

Apesar do alerta gerado pelo surto, análises laboratoriais trazem um cenário de controle. O Instituto Pasteur, na França, realizou o sequenciamento genético do vírus detectado a bordo e informou que a cepa não apresenta mutações que a tornem mais letal ou de mais fácil propagação do que o habitualmente registrado. Mesmo assim, o monitoramento internacional continua intenso: os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos rastreiam 41 pessoas em 16 estados americanos, enquanto o governo canadense estipulou um período de vigilância médica de até 42 dias para passageiros e contatos próximos.

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