Close

Super El Niño: NASA alerta para colapso em cadeia na vida marinha do Pacífico

Compartilhe

O fenômeno El Niño em curso vem desencadeando os seus primeiros impactos ecológicos globais, segundo levantamentos da NASA. Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas na faixa equatorial do Pacífico e pela alteração nos padrões de circulação atmosférica, o evento altera severamente o clima regional — provocando desde chuvas intensas em regiões áridas até o deslocamento de rotas de ciclones tropicais. A principal consequência biológica imediata ocorre na base da vida marinha, com uma queda drástica nos níveis de clorofila no Pacífico central e ao norte da Nova Zelândia, o que evidencia uma redução acentuada na população de fitoplâncton.

Mecanismos oceanográficos e consequências econômicas

Essa retração da biomassa vegetal marinha já era prevista pelos cientistas devido ao enfraquecimento dos ventos alísios de leste. Com essa alteração, a camada de água quente da superfície se aprofunda e bloqueia a ressurgência, processo natural que transporta águas profundas, frias e ricas em nutrientes para a superfície. Sem o aporte nutricional adequado, o crescimento do fitoplâncton é inibido, gerando um efeito em cascata por toda a teia alimentar costeira e oceânica. A escassez de alimento atinge diretamente o zooplâncton, os peixes, as aves e os mamíferos marinhos, resultando em fortes prejuízos para o setor pesqueiro, a exemplo das quedas históricas na captura da anchova no Peru.

Leia+  O projeto HAARP criou o devastador terremoto de magnitude 7,4 no solo colombiano?

As concentrações de clorofila no Pacífico equatorial desviam-se do normal durante eventos El Niño.PANELA

Perspectivas de recuperação pós-fenômeno

Apesar do cenário crítico para o ecossistema marinho, a agência aponta que o oceano possui capacidade de regeneração após a suavização ou término do El Niño. A recuperação dos índices de clorofila no Pacífico equatorial pode ser impulsionada pelo transporte oceânico de ferro e pela dispersão de poeira vinda de solos mais secos das Américas Central e do Sul, elementos que fertilizam a água. Além disso, a eventual chegada do fenômeno La Niña — frequentemente sequencial ao El Niño — tende a restabelecer a dinâmica tradicional de ventos e nutrientes, favorecendo um novo ciclo de abundância para a vida marinha.

Foto: Ricardo Stuckert/PR e Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

www.clmbrasil.com.br