Cientistas explicam: estamos em uma onda de terremotos? E por que a Colômbia foi devastada

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Passadas mais de 24 horas do forte terremoto de magnitude 7.4 que atingiu a Colômbia nas primeiras horas de segunda-feira, dia 10 de agosto, com epicentro na região de San José del Palmar, as autoridades locais elevaram o número de mortos para 224. Anteriormente, a Associação Colombiana de Capitais havia divulgado um balanço preliminar de 169 mortos e 668 feridos no país, dos quais 165 óbitos foram registrados nas capitais. O evento foi oficialmente catalogado pelo Serviço Geológico Colombiano (SGC) como o mais intenso registrado em território nacional nos últimos dez anos. Os impactos do abalo foram drásticos, concentrando estragos severos especialmente no departamento de Chocó, enquanto tremores secundários e vibrações intensas ultrapassaram as fronteiras, sendo notados com clareza em nações vizinhas, a exemplo do Panamá e do Equador.

A força do sismo gerou pânico e obrigou a evacuação preventiva de edifícios corporativos e residenciais em centros urbanos cruciais, como Bogotá, Medellín, Pasto e Bucaramanga. Paralelamente, danos estruturais foram reportados em diversas cidades situadas na porção oeste do país, incluindo Cali, Pereira, Manizales, Quibdó e Armênia. Nas primeiras 24 horas posteriores ao impacto principal, o SGC e os órgãos de gestão de risco contabilizaram cerca de cem réplicas. Equipes de emergência continuam mobilizadas na vigilância das áreas atingidas, reforçando o alerta para que a população ignore boatos, recorra exclusivamente a canais oficiais de comunicação e preserve ativos os planos de contingência familiar.

Pessoas e equipes de resgate após o terremoto em Cali, Colômbia, em 10 de agosto de 2026.Samir Rojas / Gettyimages.ru

A física por trás da intensidade do sismo

Especialistas da Rede Sismológica Nacional esclareceram que o fenômeno decorre diretamente do choque entre a placa de Nazca e a placa Sul-Americana. Embora o epicentro não tenha ficado localizado em uma camada extremamente superficial da crosta, a magnitude elevada garantiu que uma quantidade colossal de energia se propagasse sem se dissipar por completo durante a subida, atingindo a superfície com força avassaladora. O cenário reflete a complexidade geológica colombiana, cortada por falhas tectônicas ativas que supervisionam, em média, cerca de 2.500 pequenos tremores mensais — a maioria imperceptível aos cidadãos devido à baixa magnitude ou profundidade acentuada.

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O papel do Anel de Fogo e a tectônica colombiana

Para compreender o dinamismo do solo colombiano, é preciso analisar a influência do Anel de Fogo do Pacífico, uma faixa de 40 mil quilômetros responsável por concentrar 90% dos terremotos mundiais e três quartos dos vulcões do planeta. O mecanismo predominante nessa zona é a subducção, processo em que placas oceânicas densas e pesadas afundam sob as placas continentais.

Anel de Fogo

No caso específico da Colômbia, a interseção entre a Placa de Nazca, a Sul-Americana e a do Caribe molda o relevo nacional. Conforme detalha o professor Germán Prieto, da Universidade Nacional da Colômbia, o abalo originou-se a cerca de 100 quilômetros de profundidade devido à subducção da placa de Nazca — dinâmica distinta das falhas rasas comuns na Venezuela —, o que facilitou a ampla propagação das ondas sísmicas por um território vasto.

A Terra está tremendo mais?

O terremoto brutal que atingiu a Colômbia na segunda-feira levanta novamente uma questão recorrente a cada nova onda de fortes abalos: a Terra está tremendo com mais frequência? Para o geólogo Víctor Ramos, professor emérito da UBA e pesquisador emérito do Conicet, a resposta é categórica ao afirmar que não existe nenhuma anomalia global em curso. Segundo o especialista, que analisou a sequência de eventos sísmicos recentes na Colômbia, Venezuela, Japão, Filipinas e México, o planeta encontra-se em constante pulsação. Ao observar escalas de várias décadas, é perfeitamente normal que ocorram diversos grandes terremotos anualmente, sem que haja qualquer correlação direta entre fenômenos registrados a milhares de quilômetros de distância.

Foto: Ricardo Stuckert/PR e Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

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